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Os netos adoram avós que fazem estas 6 coisas (e não tem a ver com dinheiro)

Avós e neto fazem biscoitos numa cozinha, rodeados por livros e uma fotografia antiga.

Há um tipo de magia silenciosa que acontece entre avós e netos. Não aparece em extractos bancários nem em fotografias cuidadosamente encenadas no Facebook. Está na forma como os ombros de uma criança relaxam quando entra pela porta de casa da avó, ou na forma como um adolescente que mal levanta os olhos do telemóvel de repente se ri às gargalhadas com a piada péssima do avô. O mundo lá fora pode parecer rápido, cortante e cheio. Dentro da cozinha dos avós, muitas vezes parece que o relógio abranda o suficiente para se poder respirar.
Os netos raramente se lembram do que lhes compraram, mas lembram-se de como se sentiram. E os avós de quem eles mais gostam tendem a fazer as mesmas seis coisas, mesmo que nem se apercebam de que estão a fazer algo especial.

1. Vêem mesmo os netos, não apenas “as crianças”

Há uma diferença entre “Como estás?” e “Como está a correr aquele projecto de artes que estavas a recear na semana passada?”. Os avós a quem as crianças se agarram são os que reparam nos pequenos detalhes: o novo corte de cabelo, o facto de alguém andar mais calado ultimamente, a forma como a fase dos dinossauros deu lugar, sem alarde, a uma obsessão pelo espaço. É preciso um pouco de atenção e muita capacidade de escuta. Esse tipo de atenção diz a uma criança: tu importas aqui, exactamente como és.

As crianças vivem num mundo onde os adultos muitas vezes falam por cima delas, sobre elas, ou para elas. Um avô ou uma avó que se senta, olha nos olhos e espera pela resposta sem apressar está a fazer algo silenciosamente radical. Quase se vê a criança a desdobrar-se, como uma folha amarrotada a ser alisada. Começa a falar mais e depois a partilhar mais, porque percebe que não está apenas a preencher silêncio: está a ser ouvida. É aí que o vínculo deixa de ser apenas “fofinho” e passa a ser real.

Sejamos honestos: nem todos os avós acham isto fácil. Alguns cresceram em casas onde se esperava que as crianças fossem “vistas e não ouvidas”, e a ideia de perguntar a uma criança de 9 anos o que pensa sobre seja o que for pode parecer estranha. Mas quando conseguem ultrapassar esse guião antigo e dizer “Conta-me o que gostas neste jogo”, algo muda dos dois lados. O respeito começa a fluir em ambos os sentidos, e a relação deixa de ser um dever geracional rígido para se tornar numa amizade verdadeira - que, por acaso, tem uma grande diferença de idades.

2. Criam pequenos rituais repetíveis

Pergunte-se a adultos o que mais adoravam nos avós e raramente falam de grandes festas ou brinquedos caros. Falam de rituais. A bolacha de sexta-feira à tarde no caminho de casa depois da escola. A piada que era sempre contada da pior maneira. A forma como o avô fingia não os ver escondidos atrás da cortina e depois ficava “de repente” chocado quando eles saltavam. Estas pequenas manias repetidas tornam-se uma porta privada para a criança voltar a sentir-se segura.

A magia do “nosso assunto”

As crianças adoram ter um “nosso assunto” com cada avô. Pode ser um aperto de mão secreto, uma alcunha especial, ou a regra de que em casa da avó é permitido tomar o pequeno-almoço de pijama no sofá. Essa sensação de um costume partilhado, ligeiramente parvo, faz com que se sintam escolhidas, e não apenas toleradas. Diz: isto não é uma relação qualquer, isto é nosso. Anos mais tarde, ainda se vão lembrar do estaladiço exacto da bolacha ou do som da chaleira a ferver antes da “vossa” conversa.

Estes rituais não precisam de ser dignos do Instagram. Aliás, quanto menos polidos forem, melhor. Uma panqueca torta ao domingo, chá feito demasiado fraco, um passeio com o cão em qualquer tempo. A repetição é que faz o trabalho pesado, não a perfeição. As crianças não precisam de um passeio temático; precisam de algo com que possam contar, semana após semana, quando o resto da vida parece estar a mudar de forma a cada cinco minutos.

3. Contam histórias que não são filtradas nem polidas

Os netos ficam fascinados com adultos que admitem que, em tempos, erraram a valer. Os avós de quem mais gostam não fingem que flutuaram pela vida numa nuvem de decisões sábias. Contam a verdade sobre o exame que chumbaram, o trabalho que odiaram, a paixoneta que nunca lhes correspondeu. Não de uma forma pesada que despeja preocupações de adulto em ombros jovens, mas com honestidade e humor. É uma espécie de viagem emocional no tempo: “Eu já fui tu, um dia.”

Todos já passámos por aquele momento em que uma criança pergunta de repente algo grande e inesperado, como “Alguma vez tiveste medo na escola?”. O mais fácil é despachar com “Ah, vai correr bem.” Os avós que vão um pouco mais fundo e dizem “Sim, eu tinha pavor do professor de Ciências, deixa-me contar-te…” estão a passar um tipo diferente de herança. Diz: o medo é normal, os erros acontecem, e tu não estás sozinho. Essa história pode durar mais do que qualquer coisa deixada em testamento.

Verdade em vez de sermão

Há uma linha muito fina entre partilhar e pregar. As crianças cheiram uma lição moral a quilómetros e desligam no instante em que sentem que as estão a encaminhar para uma. O ponto certo é uma história que termina com “Foi isto que eu fiz e aprendi com isso”, e não com “Por isso nem te atrevas a fazer o mesmo.” Quando um avô confia que a criança tire o seu próprio significado de uma história, dá-lhe espaço para pensar - não apenas para obedecer.

As histórias não precisam de ser dramáticas. Um relato sobre a vez em que a máquina de lavar inundou a cozinha, contado pela quinquagésima vez enquanto toda a gente se ri, é mais poderoso do que um discurso raro e perfeitamente escrito. Através destas pequenas confissões, as crianças aprendem que os adultos não são estátuas de mármore sem falhas: são seres humanos que foram desenrascando, tal como elas estão a tentar fazer agora. Essa autenticidade é profundamente reconfortante, sobretudo num mundo que espera que toda a gente pareça impecável e com a vida em ordem o tempo todo.

4. Deixam as crianças “ajudar” e falam a sério

As crianças adoram ser úteis, mesmo que a ideia delas de “ajudar” transforme um quarto arrumado em algo que parece uma loja de caridade depois de uma grande liquidação. Os avós que puxam os netos para junto de si, em vez de os enxotarem, acabam por construir algo muito maior do que uma fornada de scones um pouco disformes. Estão a construir competência e ligação. Uma mão pequena na colher de pau, farinha a pairar no ar, o som lento das colheres a bater em canecas de chá - tudo isso soma-se a: “Tu pertences aqui. Fazes parte disto.”

Sejamos honestos: ninguém quer realmente um miúdo entusiasmado de seis anos envolvido em todas as vezes que se cozinha ou se faz jardinagem. Exige paciência e disposição para aceitar paredes salpicadas e terra escavada de forma desigual. Os avós adorados não fazem isto na perfeição; fazem-no vezes suficientes. Engolem a vontade de dizer “Deixa, faço eu, és muito lento” e, em vez disso, dão à criança um trabalho pequeno e real. Mexe isto. Leva aquilo. Planta estas três sementes. A tarefa não importa tanto quanto a confiança por trás dela.

De “tem cuidado” para “tu consegues”

Muitas crianças crescem a ouvir “Não toques” e “Vais partir isso.” Um avô que troca essas frases por “Vamos tentar juntos” está a dar-lhes algo precioso: a oportunidade de se verem como capazes. Isso não significa ignorar a segurança ou deixá-las correr com facas de trinchar. Significa mostrar-lhes como segurar a faca, como dobrar o pano de cozinha, como regar a planta sem a afogar. Aos poucos, a banda sonora na cabeça dessa criança muda de “Eu não consigo” para “Se calhar consigo.”

Quando são mais velhos, é o mesmo princípio com outra forma. Um adolescente em quem confiam para escolher o filme, planear o percurso de um passeio, ou cozinhar o jantar com o avô está a receber a mensagem: “O teu julgamento é importante para mim.” Esse tipo de fé silenciosa pode fazer mais pela confiança deles do que cem frases motivacionais coladas na parede do quarto. E sim, podem queimar o alho ou perder-se toda a gente uma vez. Isso só cria mais histórias para rir mais tarde.

5. Mantêm curiosidade sobre o mundo que muda (e sobre os mundos dos netos)

Um avô não precisa de saber usar todas as novas aplicações, mas os mais adorados são curiosos sobre aquilo que os netos gostam. Espreitam um ecrã luminoso de jogo e perguntam “Então qual é o objectivo deste?” ou ouvem uma música estrondosa e dizem “Conta-me porque é que gostas disto.” Mesmo quando não “percebem”, percebem a coisa maior: se isto é importante para ti, é importante para mim. Essa curiosidade simples parece amor traduzido em perguntas.

Há uma tentação, à medida que envelhecemos, de dizer “No meu tempo é que era bom” e fechar a porta ao que é novo. As crianças sentem isso como uma rejeição silenciosa, mesmo que ninguém o queira dizer assim. Um avô que consegue dizer “Algumas coisas eram melhores, outras não; mostra-me o teu lado” agarra-se à relação em vez de se agarrar ao argumento. Torna-se uma ponte entre mundos, não um guarda de fronteira. E um neto atravessa essa ponte muito mais vezes.

Deixá-los ser os especialistas

Acontece algo bonito quando um avô deixa uma criança ensiná-lo. Os papéis invertem-se por um momento. A criança é quem explica os controlos de um jogo, o enredo de uma série, a lógica de um meme que não faz sentido nenhum fora da geração dela. Quase se ouve o orgulho quando diz: “Não, avô, carrega nesse, isso, conseguiste!” Esse momento dá-lhes estatuto sem diminuir o adulto.

Isto não apaga o fosso geracional; abre espaço para ele. O avô traz histórias e calma, a criança traz novidade e faísca. Entre os dois, criam um pequeno bolso de espaço partilhado onde nenhum precisa de fingir. É isso que faz com que os adolescentes voltem a visitar muito depois de, tecnicamente, terem “passado a idade” das visitas em família. Não é o dinheiro. Não é a promessa de boleia para casa. É a sensação de que ali há alguém mais velho que não decidiu que o mundo moderno - ou eles - é ridículo.

6. Oferecem um lugar macio para aterrar, mesmo quando as coisas correm mal

Os avós mais adorados são muitas vezes recordados num tipo particular de momento: o ligeiramente desarrumado. A má nota na escola, a discussão em casa, o primeiro desgosto amoroso. Os avós que se tornam portos seguros não resolvem tudo. Põem a chaleira ao lume, entregam uma caneca um pouco lascada e deixam as palavras sair - ou deixam ficar o silêncio. Há conforto em simplesmente ser permitido existir, de olhos cheios de lágrimas ou rabugento, sem que alguém exija imediatamente um plano de vida.

Às vezes é só uma mão pousada em silêncio nas costas, ou o cheiro familiar de detergente da roupa e de molho de carne numa cozinha quente. Sem discursos. Sem “No meu tempo…”, a menos que lhes peçam. Apenas estar lá. As crianças, mesmo as altas e com voz grossa, têm uma necessidade enorme de lugares onde não tenham de representar competência o tempo todo. A casa dos avós - ou até apenas a presença deles ao telefone - pode ser um dos últimos lugares onde essa máscara pode cair.

Amor sem placar

Há mais uma coisa que distingue estes avós: não fazem contabilidade. Não dizem “Eu fiz isto tudo por ti” nem culpabilizam quando a vida fica cheia e as visitas se tornam menos frequentes. O amor deles parece um campo largo e paciente, e não um horário apertado. Os netos apercebem-se disso. Dá-lhes vontade de voltar, não por medo de desiludir alguém, mas porque estar ali sabe a alívio.

O dinheiro pode tornar algumas coisas mais fáceis, mas nunca substitui este tipo de segurança. Uma criança não vai lembrar-se do valor exacto do envelope recebido no Natal, mas vai lembrar-se de a quem ligou quando fez asneira e não conseguia contar a mais ninguém. O avô que diz “Não estou zangado; só estou contente por me teres contado” está a plantar algo muito fundo: lealdade, confiança, a sensação de que o amor não desaparece no momento em que deixam de ser impressionantes.

O legado silencioso que realmente dura

Os avós que são adorados não são os que viveram vidas perfeitas ou seguiram algum manual de ligação familiar. Cansaram-se, perderam a paciência às vezes, esqueceram aniversários de vez em quando. Não fizeram trabalhos manuais todos os fins-de-semana nem cozinharam refeições de raiz todas as noites. O que fizeram foi muito mais simples e muito mais raro: apareceram com curiosidade, com paciência na maior parte das vezes, e com vontade de ser completamente eles próprios com os jovens à sua frente.

No fim, o legado não é a casa, as poupanças, ou as relíquias na prateleira da lareira. É a sensação que um neto já crescido tem quando cheira um determinado sabonete ou ouve uma certa canção e está instantaneamente de volta àquela sala, àquele jardim, àquela viagem de carro. É a forma como um dia vão mexer um tacho, ou ouvir sem interromper, ou pedir a uma criança “mostra-me como isso funciona” - e nem se apercebem de que estão a repetir algo que lhes foi dado.
A verdadeira herança é emocional: segurança, histórias, rituais e a certeza inabalável de que, durante algum tempo, houve uma pessoa no mundo que te viu exactamente como eras e te amou ali.

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