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A psicologia revela as três cores mais usadas por pessoas com baixa autoestima.

Pessoa a organizar t-shirts de cores num total de três pilhas, ao lado de um círculo cromático numa mesa branca.

A sweatshirt. Um casaco. Aquela mesma camisola que “combina com tudo”. Raramente paramos para perguntar o que é que essas cores estão, em silêncio, a dizer sobre a história que contamos a nós próprios. Ainda assim, os psicólogos são claros: os tons que repetimos vezes sem conta são, muitas vezes, um espelho de como nos sentimos por dentro.

Olhe à sua volta no metro ou no escritório. Há pessoas que parecem pontos de exclamação ambulantes, envoltas em escarlate e azul elétrico. Outras parecem esbater-se no fundo, vestindo a mesma paleta das paredes e do tempo lá fora. Não é só gosto ou moda. Muitas vezes, é autoproteção.

A psicologia destaca hoje três cores que aparecem repetidamente em pessoas com baixa autoestima. Não como prova. Como pistas. Pistas subtis e teimosas.

As três cores que, em silêncio, sinalizam “estou a encolher”

Pergunte a um stylist sobre o preto e ele falar-lhe-á de elegância e de um chique intemporal. Pergunte a um psicólogo e ouvirá outra história. O preto é, muitas vezes, a cor a que pessoas com baixa autoestima se agarram porque funciona como um escudo. Esconde nódoas, desfoca formas, apaga contornos. Sente-se menos exposto, menos visível, quase menos… real.

Vestir-se de preto da cabeça aos pés, dia após dia, pode ser uma forma de dizer, sem palavras: “Não olhem demasiado para mim.” É prático, sim. Mas também pode tornar-se um uniforme do desaparecimento, em que deixa de perguntar quem é e passa apenas a tentar não incomodar ninguém. É aí que o preto deixa de ser estilo e passa a ser refúgio.

Depois há o bege e os seus “primos”: taupe, greige, areia. Suaves, discretos, inofensivos. Pessoas com uma autoestima frágil escolhem frequentemente estes tons para se misturarem com o ambiente. O bege não grita. Sussurra. Diz: “Estou aqui, mas não se preocupem, não vou ocupar espaço.” Parece “seguro” em situações sociais, sobretudo para quem teme críticas ou atenção.

Por fim, os azuis e cinzentos deslavados voltam a surgir, uma e outra vez, nos guarda-roupas de quem se sente emocionalmente esgotado. Não o cobalto vibrante ou o azul-real que irradia confiança. Mas o azul gasto das calças de ganga, a camisola cinzento-tempestade que usa três vezes por semana. Os psicólogos associam esta paleta amortecida a baixa energia, dúvida e a uma necessidade profunda de ficar em segundo plano. Estas cores tornam-se um eco silencioso de “estou cansado de lutar”.

O que a investigação e a vida real revelam sobre as “cores da baixa autoestima”

Num estudo no Reino Unido sobre roupa e humor, participantes com baixa autoestima relataram usar preto e cinzento com muito mais frequência em “dias maus” do que em dias em que se sentiam bem consigo próprios. Muitos disseram que escolhiam essas cores para “se esconderem” ou “não atraírem comentários”. A palavra “esconder” aparecia repetidamente nas entrevistas.

Psicólogos da cor também observam um padrão recorrente em terapia: pessoas que relatam autocrítica severa chegam muitas vezes às consultas envoltas na mesma paleta restrita. Uma terapeuta disse-me que, por vezes, consegue adivinhar o diálogo interno de um cliente só de olhar para três dos seus conjuntos. Quanto mais a vida se estreita por dentro, mais o espectro de cores se estreita por fora.

Uma diretora de RH com quem falei reparou em algo semelhante. Quando os membros da sua equipa estavam em burnout ou abalados por uma avaliação negativa, o guarda-roupa escurecia. As camisolas coloridas desapareciam. Casacos de malha pretos e hoodies cinzentas tomavam conta das salas de reunião. Ninguém dizia “sinto-me sem valor”. A roupa dizia-o por eles, todas as segundas-feiras.

Do ponto de vista psicológico, faz sentido. Quando a autoestima desce, o cérebro procura segurança. Cores vivas e saturadas parecem arriscadas porque atraem o olhar. Isso pode ativar o medo de julgamento ou rejeição. Então a mente empurra-nos para tons “furtivos”: preto, bege, azul desbotado, cinzento suave. A curto prazo, acalmam a ansiedade por nos fazerem sentir menos notados.

A armadilha é que estas cores podem reforçar a história “devo manter-me pequeno”. Deixa de experimentar, deixa de arriscar peças mais ousadas, deixa de ouvir elogios ao seu estilo. O mundo exterior devolve-lhe exatamente aquilo que teme em segredo: que é fundo, não primeiro plano. Com o tempo, a ligação entre baixa autoestima e um guarda-roupa apagado transforma-se num ciclo.

Isto não significa que toda a gente que usa preto se odeia, nem que cada trench coat bege é um grito de socorro. O contexto importa. A escolha importa. A questão não é “Que cor estou a usar?”, mas sim “Sinto que tenho o direito de ser visto com outra coisa?” Quando a resposta honesta é não, a paleta começa a parecer um sintoma.

Como usar a cor para reconstruir - sem fingir uma nova personalidade

O método mais gentil não é deitar fora metade do guarda-roupa de um dia para o outro, mas acrescentar uma única cor “interruptora”. Escolha um cachecol, um par de meias, um gancho de cabelo, um caderno na secretária num tom que pareça um nível mais brilhante do que o habitual. Nada de néon. Apenas um pequeno passo fora da zona de conforto.

Se vive de preto, experimente verde floresta profundo, vermelho vinho ou azul meia-noite como ponte. Se tudo o que tem é bege, experimente terracota quente ou coral suave num acessório pequeno. O objetivo é deixar os seus olhos e o seu sistema nervoso habituarem-se à ideia de que pode ser ligeiramente mais visível e continuar seguro. Um quadrado de cor de cada vez.

Alguns terapeutas até usam “tarefas de cor” entre sessões. Pedem aos clientes que usem uma peça colorida de forma deliberada num dia em que se sintam razoavelmente bem, e depois observem como as pessoas reagem. A maioria descobre que ninguém os ataca. Alguns até recebem elogios. Essa pequena dose de feedback positivo começa a rachar a velha história: “Se me virem, vão julgar-me.” No dia em que percebe que o mundo não colapsou porque vestiu uma T-shirt vermelha, algo cá dentro afrouxa.

Há aqui uma armadilha comum: transformar a cor numa performance. Forçar-se a usar amarelo vivo quando se sente como uma sombra pode fazê-lo sentir-se um impostor. A ideia não é fazer cosplay de confiança. É esticar, com gentileza, o seu sentido do que lhe é permitido. Pense nisto mais como fisioterapia para a autoestima do que como um programa de transformação.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Vai haver manhãs em que volta diretamente à velha hoodie preta. Está tudo bem. O que importa é a frequência, não a perfeição. Se uma vez por semana escolher uma cor que diga “eu existo” em vez de “eu desapareço”, já está a mudar o guião.

Também ajuda reparar nos seus gatilhos emocionais. Vai instintivamente buscar a roupa mais escura antes de uma apresentação, de um almoço de família, de um encontro? Isso é sinal de que o seu cérebro está a tentar tornar-se invisível para evitar possível dor. Nomear esse reflexo em voz alta - “estou a vestir-me para desaparecer porque estou com medo” - pode ser estranhamente libertador. A partir daí, pode escolher uma opção um pouco mais gentil.

“A cor não serve apenas para decorar as nossas vidas”, diz a psicóloga francesa Hélène Roux. “Ela transmite o quanto sentimos que temos o direito de ocupar espaço. Mudar as suas cores pode ser um ensaio para mudar a sua vida.”

Para tornar isto prático numa semana atarefada, mantenha um pequeno “kit de cor para a autoestima” pronto onde se veste. Pode ser assim:

  • Um acessório numa cor quente (vermelho, laranja, coral) para dias em que se sente corajoso.
  • Uma peça num tom rico e profundo (esmeralda, azul-marinho, bordô) para dias “sérios” de trabalho.
  • Uma cor suave e reconfortante (rosa antigo, verde sálvia) para manhãs ansiosas.

Num dia difícil, basta escolher do kit em vez de negociar consigo próprio durante vinte minutos. Parece trivial. No entanto, ao longo de um mês, estas pequenas escolhas semi-automáticas podem reescrever a história interior de “sou demais” ou “não sou suficiente” para algo mais calmo e mais bondoso: “tenho o direito de ser visto, nos meus próprios termos.”

Quando as cores deixam de o esconder e passam a refletir quem é

Há um momento estranho que muitas pessoas descrevem: a primeira vez que olham para uma foto antiga e veem filas de preto, cinzento e bege. Não veem apenas roupa. Veem um período da vida em que estavam constantemente a encolher-se. Quando dá por isso, já não consegue deixar de ver. Torna-se como anéis de árvore no seu guarda-roupa.

A parte fascinante é a rapidez com que a energia muda quando aparece uma pequena mancha de cor. Um cachecol cobalto numa foto de grupo. Um casaco cor de ferrugem numa festa. Amigos lembram-se desses detalhes anos depois: “Sabes, estavas diferente naquela noite.” Não mais bonito. Mais presente. Mais como alguém que tinha começado a acender a luz outra vez.

Todos já tivemos aquele momento em que nos vestimos para um dia importante, olhamos ao espelho e pensamos: “Isto não parece eu.” Às vezes, essa frase é um sinal de alerta. Outras vezes, é o início de um novo capítulo. A diferença está no que faz a seguir. Esconde-se ainda mais nas cores da segurança, ou experimenta tons que digam ao mundo: “Estou aqui, mesmo que ainda esteja um pouco assustado.”

A cor nunca substituirá terapia, conversas reais ou trabalho emocional difícil. Ainda assim, pode ser uma das ferramentas mais acessíveis para começar a tratar-se com um pouco mais de respeito. Não tem de comprar um guarda-roupa novo. Não tem de adorar néon. Só precisa de uma pequena peça que pareça a pessoa em que se está a tornar, e não apenas aquela que foi enquanto a sua autoestima estava no chão.

Da próxima vez que a sua mão for automaticamente para aquela camisola preta, pare dois segundos. Pergunte a si próprio: “Isto é estilo, ou é armadura?” Não há resposta certa ou errada. Há apenas a possibilidade, hoje, de escolher uma cor que não peça desculpa por existir.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Três cores “refúgio” Preto, bege neutro, azuis/cinzentos deslavados surgem frequentemente em pessoas com autoestima frágil Permite identificar quando a escolha de roupa traduz um mal-estar interior
A lógica psicológica Estes tons reduzem a visibilidade social e dão uma sensação de segurança a curto prazo Ajuda a compreender porque é que “desaparecemos” na roupa durante fases difíceis
Micro-mudanças de cor Introduzir gradualmente tons mais ricos como exercício de confiança Oferece uma ferramenta concreta e suave para começar a reconstruir a autoestima no dia a dia

FAQ

  • Usar muito preto significa automaticamente que tenho baixa autoestima? Não. O preto pode ser uma escolha de estilo forte e deliberada. Torna-se um sinal de alerta quando sente que “não consegue” usar mais nada sem ansiedade ou vergonha.
  • Há cores que indicam sempre alta autoestima? Nem sempre. Cores vivas ou saturadas podem sinalizar confiança, mas também podem ser um disfarce. O que importa é se a cor se sente “sua”, não se parece chamativa.
  • Mudar o meu guarda-roupa pode mesmo mudar como me sinto por dentro? Não resolve feridas profundas, mas pequenas escolhas repetidas que dizem “tenho o direito de ser visto” podem apoiar, com suavidade, a terapia e o trabalho interior.
  • Eu adoro bege e neutros. Isso significa que há algo de errado? Não. Os problemas surgem quando se sente preso, com medo de experimentar outros tons, ou quando usa neutros apenas para desaparecer socialmente.
  • Como começo se as cores vivas me assustam? Comece com tons mais profundos e suaves em pequenos acessórios: bordô, verde floresta, azul-marinho, rosa antigo. Uma peça de cada vez é suficiente para começar a mudar a sua narrativa interna.

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