A fritadeira de ar na bancada ainda está morna quando a Julie a empurra para o lado, com um suspiro. Já não há espaço. Entre a liquidificadora, a torradeira e aquela máquina de café enorme, a cozinha minúscula parece um showroom de eletrodomésticos que fazem todos… quase a mesma coisa. Ela faz scroll no telemóvel, distraidamente, até que uma manchete a faz parar: “Panela inteligente 9-em-1 substitui a sua fritadeira de ar”. Ela resmunga, depois clica. A curiosidade ganha sempre.
Duas horas depois, está no YouTube a ver pessoas a assar, a cozer a vapor e até a fazer iogurte num único aparelho do tamanho de uma panela elétrica de arroz rechonchuda. Algo muda.
Talvez todos nós tenhamos andado a cozinhar à volta do problema.
Da “febre da fritadeira de ar” à verdadeira cozinha tudo‑em‑um
Entre numa cozinha hoje e é provável que veja uma fritadeira de ar encostada orgulhosamente à parede. Tornou-se a heroína das noites de semana preguiçosas: atirar batatas fritas congeladas para dentro, fingir que é saudável, chamar-lhe jantar. O problema é que, quando a novidade passa, ela acaba sobretudo a aquecer sobras e a estalar nuggets. A revolução ficou a meio.
Esta nova vaga de multi-cookers ataca esse problema de forma discreta. Não se limitam a soprar ar quente sobre a comida. Juntam cozedura sob pressão, vapor, forno, saltear, cozedura lenta e, sim, fritar com ar, num único tacho compacto que realmente merece o espaço que ocupa.
Veja os modelos 9-em-1 mais recentes que inundam as redes. À segunda, funcionam como panela de pressão para um chili em 30 minutos. À terça, cozinham salmão e legumes a vapor de uma vez. À quarta, viram um mini-forno e fazem um pão de banana que não fica seco. A mesma máquina transforma-se numa iogurteira durante a noite e, ao fim de semana, frita batatas estaladiças sem transformar a cozinha numa sauna.
Uma criadora no TikTok filmou a sua “semana com um só tacho”: nove receitas, zero forno, nenhuma frigideira a ficar de molho no lava-loiça. Os comentários repetiam a mesma frase: “Não fazia ideia que dava para tudo isso”.
Há uma lógica clara por trás desta mudança. A fritadeira de ar resolveu um problema - cozinhar mais depressa e com mais crocância - mas deixou todo o resto intocado: massa a ferver num bico, legumes a vapor noutro, e algo a assar no forno que demora uma eternidade a pré-aquecer. O aparelho de 9 métodos responde a uma pergunta mais moderna: quanto consigo cozinhar com o mínimo de espaço, energia e tempo?
Ao combinar pressão, convecção, vapor e calor baixo controlado, consegue fazer de tudo, de risottos a entrecosto, na mesma cuba de aço. A tecnologia não se tornou magia de repente - as nossas expectativas é que finalmente acompanharam.
O que este aparelho 9-em-1 faz de diferente, na prática
O coração destes aparelhos é simples: um tacho, uma tampa, nove formas de tratar a sua comida. A maioria dos 9-em-1 cobre estes métodos: cozinhar sob pressão, cozedura lenta, vapor, saltear, fritar com ar, assar, cozer no forno, reaquecer e manter quente. Alguns acrescentam modos para arroz ou iogurte, mas normalmente é apenas controlo inteligente de temperatura com outro nome.
O truque é aprender a pensar em “modos” em vez de “aparelhos”. Quer frango estaladiço? Comece em saltear para alourar, mude para pressão para cozinhar por dentro e termine em fritar com ar para a crocância. A mesma cuba, sem fazer malabarismos entre frigideira, forno e gaveta da air fryer.
Imagine uma noite de semana com isto. Deita cebola, alho e especiarias diretamente na cuba inox no modo saltear. Alouram como numa frigideira. Junte lentilhas, tomate picado e caldo, feche a tampa e carregue em pressão. Doze minutos depois, faz a libertação rápida do vapor, junta espinafres e um pouco de limão. Jantar para quatro, um tacho, sem marcas de queimado no fogão.
No dia seguinte, o pão do dia anterior vira pequeno-almoço: rabanadas no modo forno, enquanto bebe o café. Sem pré-aquecer o forno, sem um pirex enorme para lavar - apenas a mesma cuba que vai para a máquina de lavar loiça.
Há um motivo mais profundo para este formato funcionar tão bem. A maioria dos falhanços na cozinha caseira não acontece por causa das receitas, mas por causa da logística: demasiadas panelas, poucos bicos, tempos desencontrados. Um cooker de 9 métodos comprime o caos. A tampa retém a humidade, o calor é direcionado e os programas retiram a adivinhação para não ficar ali a vigiar, mexer e picar.
Sejamos honestos: ninguém segue três técnicas diferentes numa terça-feira à noite depois do trabalho. Com isto, carrega em “arroz” ou “vapor” e vai à sua vida, confiante de que a comida não vai virar papa nem carvão enquanto trata de e-mails ou dos TPC.
Como substituir mesmo a sua fritadeira de ar (e não se arrepender)
O primeiro passo é não o tratar como uma panela de arroz chique. Comece por listar o que cozinha numa semana normal: massa, guisados, coxas de frango, legumes congelados, talvez um bolo ao domingo. Depois mapeie essas refeições para os nove métodos. Massa: saltear para a cebola, pressão para o molho, depois manter quente. Frango: pressão e depois fritar com ar. Legumes congelados: vapor e depois um assar rápido para ganhar bordas tostadas.
Comece com um prato “assinatura” que já adora e reconstrua-o dentro do tacho. Se costuma assar batatas a 200 °C durante 40 minutos, experimente pressão durante 3–4 minutos, escorra, envolva com um pouco de óleo e depois fritar com ar durante 10–12 minutos. Mesma crocância, metade do tempo, menos palavrões.
Uma armadilha comum é esperar milagres no primeiro dia e depois desistir quando a primeira lasanha sai um pouco mole. Estes aparelhos têm personalidade. Uns aquecem mais, outros alouram mais depressa. O mais inteligente é testar em pequenas quantidades: um punhado de batatas, duas asas de frango, meia chávena de arroz. Tome notas de tempo e ponto, como faria com um forno novo.
E não se culpe por usar apenas três modos ao início. Pode ignorar o botão do iogurte durante semanas. O progresso é passar de “reaqueço pizza na air fryer” para “cozinho uma refeição completa numa só cuba e nada pega”.
Um cozinheiro caseiro que entrevistei, o Marc, disse-me: “Achei que a minha fritadeira de ar era o auge da cozinha preguiçosa. Depois isto começou a cozer feijão sob pressão em 25 minutos e a ‘fritá-lo’ em snacks crocantes no mesmo tacho. Deixei mesmo de comprar feijão enlatado.”
- Cozinhar sob pressão: para feijão, cortes duros de carne, risottos que não precisam de mexer.
- Cozedura lenta: para fins de semana, quando a comida borbulha suavemente em segundo plano.
- Vapor: para dumplings, peixe e legumes que mantêm a cor.
- Saltear: para alourar cebola, selar carne ou tostar especiarias diretamente na cuba.
- Fritar com ar / assar: para bordas estaladiças e texturas douradas sem óleo profundo.
Uma nova forma de cozinhar, ou apenas mais uma fase de gadgets?
Há sempre o risco de isto se tornar a próxima máquina do pão empoeirada, exilada num armário depois de três semanas entusiasmadas. A diferença, desta vez, é a mistura de pressão, ar e vapor num corpo único e compacto. Não acrescenta apenas uma receita - reprograma a forma como organizamos o jantar. Uma ficha, uma tampa, nove caminhos.
Para um apartamento pequeno, uma cozinha partilhada, uma família a tentar reduzir a fatura da energia, essa mudança é tangível. Os fornos ficam desligados no verão. As placas ficam mais limpas. O lava-loiça enche-se de pratos, não de panelas em molho com molho queimado.
Algumas pessoas vão manter a fritadeira de ar na mesma, por hábito ou conforto. Outras vão vendê-la discretamente e deixar este novo tacho tomar conta do canto junto à tomada. O que impressiona é a rapidez com que os utilizadores passam de “uau, batatas” para “espera, também posso cozer pão de massa-mãe aqui?”. Essa curiosidade é contagiante.
Pode dar por si a falar de definições com o vizinho no corredor, a trocar capturas de ecrã de tabelas de tempos, a rir do primeiro desastre de brócolos demasiado cozidos que deixou cheiro de sauna num balneário de ginásio.
Por baixo da conversa sobre gadgets, está a acontecer algo mais banal: cozinhar está a ficar um pouco menos cansativo. Menos vigilância. Menos “babysitting”. Mais confiança de que a comida vai ficar comestível, mesmo em dias caóticos. Para alguns, isso é a diferença entre voltar a mandar vir comida e realmente comer os legumes que compraram no domingo.
Talvez o verdadeiro adeus não seja à fritadeira de ar, mas à ideia de que cada refeição precisa de três panelas diferentes e de um forno cronometrado à perfeição para ser “a sério”. O novo aparelho 9-em-1 não faz de ninguém chef. Apenas dá à cozinha do dia a dia um conjunto de atalhos que, finalmente, parecem honestos.
| Ponto-chave | Detalhe | Valor para o leitor |
|---|---|---|
| 9 métodos num só | Cozinhar sob pressão, cozedura lenta, vapor, saltear, fritar com ar, assar, cozer no forno, reaquecer, manter quente | Substitui vários aparelhos e liberta espaço na bancada |
| Poupança de tempo e energia | Cozinha mais depressa do que forno ou fogão, com menos pré-aquecimento | Refeições mais rápidas durante a semana e menor consumo de energia |
| Rotinas simplificadas | Um só tacho para refeições completas, menos loiça, menos passos | Menos stress, resultados mais consistentes, cozinha diária mais fácil |
FAQ:
- Pergunta 1: Um cooker 9-em-1 consegue mesmo substituir a minha fritadeira de ar?
- Resposta 1: Sim, desde que tenha um modo dedicado de fritar com ar/“crisp” com resistência superior e ventilador adequados, consegue os mesmos resultados estaladiços, além de métodos extra que a sua fritadeira de ar não oferece.
- Pergunta 2: A comida fica mesmo tão estaladiça como numa fritadeira de ar autónoma?
- Resposta 2: Na maioria dos modelos modernos, a crocância é tão boa quanto, sobretudo se não encher demasiado o cesto e usar um spray leve de óleo para melhorar a textura.
- Pergunta 3: É complicado aprender os nove métodos de cozedura?
- Resposta 3: Pode começar com dois ou três modos que já conhece, como pressão e fritar com ar, e ir acrescentando os outros aos poucos quando se sentir confortável.
- Pergunta 4: Ainda preciso do forno se comprar um destes?
- Resposta 4: Para assados grandes e vários tabuleiros, sim, o forno continua útil; mas para o dia a dia - assar e cozer - o 9-em-1 cobre muitas necessidades.
- Pergunta 5: Um aparelho 9-em-1 vale a pena se eu cozinhar só para uma ou duas pessoas?
- Resposta 5: Sem dúvida, sobretudo em espaços pequenos, porque cozinha porções pequenas de forma eficiente e substitui vários aparelhos volumosos de uma vez.
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