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Especialistas afirmam que as placas de indução vão desaparecer e novas tecnologias dominarão as cozinhas em 2026.

Pessoa cozinha numa placa de indução moderna, com panela a vapor, junto a plantas ornamentais.

Não mais placas de vidro afiadas e anéis de indução discretos na bancada. Numa feira em Colónia este outono, as pessoas amontoavam-se à volta do que parecia ser… bancadas vazias. Sem botões, sem círculos, sem placas pretas. Apenas superfícies quentes e silenciosas de “nada”, onde um chef selava vieiras com naturalidade, carregava o telemóvel e deslizava tachos como se as leis da física tivessem sido discretamente reescritas.

Ao lado, duas placas de indução estavam ali, educadamente ignoradas, a piscar os seus 9 digitais.

Os fabricantes sussurravam a mesma data: 2026. Os arquitetos acenavam com a cabeça, tablet na mão. Os compradores do retalho tiravam fotografias, e depois mais fotografias. “Isto”, disse-me um gestor de produto, batendo na extremidade invisível da placa, “é o que vem substituir a indução. Mais depressa do que pensa.”

E foi aí que o fim da placa clássica começou a parecer muito, muito real.

A morte silenciosa da placa preta de vidro

Entre hoje num showroom de cozinhas novas de gama alta e repara imediatamente. O retângulo preto dramático da placa de indução está a encolher, a deslizar, ou a desaparecer por completo. No lugar dele: zonas de cozedura integradas na bancada, escondidas sob porcelânico, pedra sinterizada ou compósito ultrafino. As marcas dão-lhes nomes diferentes - “placa invisível”, “superfície de cozedura integrada”, “indução de superfície total” - mas a história é a mesma. A placa deixa de ser um objeto que se compra. Passa a fazer parte do mobiliário.

Essa mudança parece cosmética até ver como as pessoas se comportam à volta dela. Os convidados apoiam-se ali com um copo de vinho. As crianças desenham ao lado. Alguém atira as chaves para um sítio onde, cinco segundos depois, um tacho começa a ferver. A linha psicológica entre “isto é uma máquina” e “isto é o coração da sala” desaparece em silêncio.

Num evento de lançamento em Milão, um fabricante italiano fez algo quase teatral. Convidaram jornalistas para um apartamento falso, não disseram nada sobre eletrodomésticos e pediram apenas que todos “convivessem” na cozinha. Após quinze minutos de conversa, entrou um chef, carregou num ponto luminoso que apareceu do nada na pedra e começou a cozinhar risotto no mesmo local onde alguém estava a fazer scroll no Instagram segundos antes. Todos os telemóveis se levantaram ao mesmo tempo. Esse é o vídeo que a equipa de marketing está a promover, mas os números por trás disto são sérios. Previsões internas partilhadas em off apontam para uma viragem acentuada: até ao final de 2026, algumas marcas europeias esperam que até 60% das suas vendas premium venham de superfícies de cozedura invisíveis ou totalmente integradas, e não de placas clássicas.

Há várias razões para isto acontecer agora, e não “um dia no futuro”. As regulamentações energéticas estão a eliminar o gás nas novas construções. A indução standard tornou-se um padrão aborrecido, esmagado pelo preço. E o design de cozinha transformou-se em conteúdo de estilo de vida, não apenas em marcenaria. Por isso, os fabricantes precisavam de um novo “uau” que justificasse margens e se tornasse viral nas redes. As bancadas de cozedura sem juntas fazem exatamente isso. Parecem ficção científica, mas ligam-se à mesma realidade de 230 V. Para a indústria, é a mudança perfeita: manter a indução como tecnologia “por baixo do capô”, mas enterrar a placa como categoria visível de produto. No piso de venda, o protagonista já não é um gadget na bancada. É a própria bancada.

Como esta nova geração de superfícies de cozedura funciona na vida real

A ideia base soa quase suspeitamente simples. Em vez de uma placa separada, os fabricantes embutem módulos de indução sob uma laje reforçada - geralmente cerâmica, porcelânico ou pedra técnica. Uma camada fina, termicamente otimizada, fica mesmo acima das bobinas. Sensores inteligentes detetam quando há um tacho na zona “ativa”, e os controlos luminosos aparecem diretamente através da superfície ou numa faixa discreta na borda. Cozinha, limpa, vai-se embora… e a cozinha volta a parecer um render de design.

As primeiras versões, há alguns anos, eram temperamentais e caras. Os tachos tinham de ficar em posições estranhamente rígidas e o calor parecia mais fraco do que na indução clássica. É aqui que 2026 muda o jogo. Os novos modelos usam mapeamento de superfície total: seguem o tacho em tempo real e deslocam a potência com ele. Deslize a panela 20 cm para a esquerda enquanto mexe, e o campo invisível acompanha como uma sombra. Ao fim de dez minutos, parece estranhamente natural - quase demasiado fácil - e é precisamente por isso que os designers apostam que se vai tornar viciante.

Claro que há a pergunta que toda a gente faz primeiro: é seguro se toda a bancada estiver “ativa”? A resposta curta dos engenheiros é sim, porque a área ativa é muito mais pequena do que parece. Só as zonas diretamente sobre as bobinas aquecem o recipiente, e o material à volta mantém-se relativamente fresco. Além disso, entram limites de software quando os sensores detetam mãos, derrames ou ausência de tacho. Ainda assim, há uma curva de aprendizagem. Vai tocar em áreas que parecem mais quentes do que uma bancada tradicional. Vai esquecer-se de onde começa a zona. Sejamos honestos: ninguém lê o manual completo de 60 páginas antes de cozinhar a primeira massa. Por isso, os modelos de 2026 estão a apostar forte em pistas visuais, feedback háptico e avisos por voz, para que esta nova invisibilidade não se transforme em caos.

Viver com uma placa que não se vê bem

O primeiro passo prático, se está a flertar com esta tendência, é pensar como um arquiteto, não como um caçador de gadgets. Em vez de perguntar “Que placa quero?”, pergunta “O que é que eu faço realmente na minha cozinha - e onde?” Faça um mapa mental do seu caos diário. Onde corta? Onde pousa as compras? Onde as pessoas se juntam com bebidas? É aí que a cozedura integrada se torna magia - ou um pesadelo completo.

Se a sua família adora tábuas de petiscos espalhadas e noites de cozinhar em grupo, uma ilha central larga com uma grande zona invisível pode transformar o espaço num palco social. Se é mais de cozinhar sozinho durante a semana, talvez prefira uma zona mais pequena e claramente definida junto à parede e manter a ilha apenas como mesa. Pessoas da indústria dizem que os primeiros adotantes mais felizes foram os que desenharam estas fronteiras invisíveis no papel muito antes de a pedra ser cortada.

Aqui é onde as expectativas podem enganar. Muita gente fantasia com uma bancada perfeitamente vazia e depois descobre que a vida quotidiana é muito mais desarrumada. Numa terça-feira à noite com mochilas da escola, correio, lancheiras e um jantar em pânico às 20:45, o sonho minimalista do Pinterest leva um abanão. O erro mais comum? Tratar toda a placa invisível como zona de despejo. Papéis empenam com o calor residual, lancheiras de plástico amolecem nas bordas, alguém pousa uma tábua de corte meio em cima de uma zona ainda quente. Num dia mau, parece que a cozinha está a pregar-lhe partidas.

O truque é criar pequenos rituais. Uma bandeja rasa onde tudo aterra quando entra em casa. Uma área específica “proibida” que todos em casa entendem - até o adolescente que faz noodles instantâneos. Pequenos marcadores autocolantes sob a borda da bancada para sentir onde começam as zonas quando a interface está desligada. Não parece tão glamoroso como as fotos promocionais, mas é assim que as cozinhas reais se mantêm sãs.

Os designers da indústria são surpreendentemente francos sobre isto. Um responsável sénior de produto de uma grande marca disse-me:

“Não estamos apenas a vender um novo eletrodoméstico. Estamos a pedir às pessoas que mudem um automatismo que têm desde a infância. Isso exige mais do que um folheto bonito.”

Para facilitar essa mudança, alguns showrooms já fazem algo que são, na prática, mini-aulas de condução para futuros proprietários. Quinze minutos de cozedura guiada, com erros rápidos incluídos, para que os utilizadores conheçam os limites antes de estarem em casa com convidados a assistir.

Para quem ainda está indeciso, algumas perguntas realistas ajudam a cortar o hype:

  • Com que frequência cozinha mesmo com mais de três tachos ao mesmo tempo?
  • Quem mais usa a cozinha, e quão à vontade está com tecnologia?
  • Valoriza mais o efeito “uau” do que a capacidade de ver imediatamente onde está o calor?
  • O que acontece se esta superfície avariar num domingo à noite - a assistência é local, ou não?
  • Esta disposição continuará a fazer sentido se a sua vida mudar dentro de cinco anos?

Num showroom silencioso, estas perguntas parecem um pouco pesadas. Numa cozinha familiar barulhenta, são puro alívio.

Então… estamos mesmo a dizer adeus à indução clássica?

Os insiders do setor não o dizem oficialmente, mas fora do microfone muitos admitem algo direto: até ao fim de 2026, o retângulo de vidro preto a que chamamos “placa de indução” vai começar a parecer datado nos catálogos brilhantes. Não obsoleto, não inútil, apenas… de entrada. Como as primeiras TVs de ecrã plano quando os plasmas volumosos dominaram. O gás já está a desaparecer nos apartamentos novos. A próxima peça do dominó é a placa visível tal como a conhecemos.

Isto não significa que toda a gente deva arrancar eletrodomésticos perfeitamente funcionais. As ondas tecnológicas raramente funcionam assim. O gás ficou em casas antigas muito depois de os condomínios terem passado todos para indução. O mesmo acontecerá aqui. Cozinhas de arrendamento e gamas económicas continuarão a vender placas clássicas durante anos. Ainda assim, políticas energéticas, tours de cozinha no TikTok e as ambições silenciosas das grandes marcas puxam numa direção. O futuro topo de gama não é um dispositivo em cima da bancada. É uma superfície que faz tudo - e depois desaparece.

O mais interessante não é apenas a parte de cozinhar, mas o que isto diz sobre como queremos viver. Cozinhas que antes gritavam “sou uma sala de máquinas” agora sussurram “sou uma sala de estar que por acaso cozinha”. Trabalho, trabalhos de casa, reuniões remotas, snacks à meia-noite - tudo se mistura na mesma laje de pedra. Algumas pessoas acham isso profundamente apelativo. Outras sentem falta da presença honesta de um eletrodoméstico robusto que anuncia: aqui, cozinha-se. Essa tensão vai moldar como os arquitetos desenham casas, como as famílias se movem, como pensamos energia e espaço.

Esta mudança levanta perguntas discretas. Se as ferramentas desaparecem, perdemos um pouco do ritual? Ou cozinhar torna-se menos intimidante quando o hardware deixa de parecer uma cabine de pilotagem? Quando a placa é invisível, é mais fácil esquecermo-nos de que ela está ali - para o bem e para o mal. Talvez seja por isso que a indústria está a avançar tão depressa: quem definir primeiro esta nova normalidade pode “possuir” a sua bancada pelos próximos quinze anos. E, nessa altura, os seus filhos podem crescer a achar que uma placa visível é tão retro como uma máquina de fax.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
A placa torna-se a bancada Módulos de indução escondem-se sob pedra ou cerâmica, transformando toda a superfície numa zona de cozedura Ajuda a perceber o que “placa invisível” significa no dia a dia
2026 como ponto de viragem As marcas preveem discretamente que a maioria das vendas premium virá de superfícies integradas em vez de placas clássicas Indica quando pode fazer sentido atualizar ou negociar modelos antigos
Design antes de gadget Planear o espaço, os hábitos e rituais de segurança importa mais do que as especificações técnicas Torna a futura cozinha bonita e realmente habitável

FAQ:

  • As placas de indução tradicionais vão mesmo “acabar” em 2026? Não de um dia para o outro. Vão continuar comuns em casas arrendadas e cozinhas de gama média, mas no segmento alto começarão a parecer design de ontem.
  • Uma bancada de cozedura invisível é mais perigosa do que uma placa normal? Não por conceção. Sensores, limites de software e superfícies mais frescas mantêm os riscos baixos, mas é preciso criar novos hábitos para que as pessoas não a tratem como uma mesa normal.
  • Posso usar as minhas panelas atuais numa superfície de cozedura integrada? Se já funcionam em indução, em geral funcionarão aqui também. O único senão é o peso e a planura: quanto melhor o contacto, mais suave a experiência.
  • O que acontece se a pedra ou a cerâmica rachar? O dano pode ser caro, porque a superfície e a tecnologia estão ligadas. Algumas marcas oferecem garantias específicas, por isso vale a pena fazer perguntas muito concretas antes de assinar.
  • Esta tendência é só para cozinhas de luxo? Começa no topo, mas os preços costumam descer em poucos anos. Pense em máquinas de lavar loiça ou máquinas de café embutidas: antes aspiracionais, agora cada vez mais comuns.

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