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Especialistas alertam: há uma planta de jardim que nunca deve cultivar, pois atrai cobras e pode transformar o seu quintal num habitat para elas durante o verão.

Homem a podar plantas num jardim, usando luvas e uma tesoura de poda.

A primeira vez que ouvi dizer que um jardim podia “convidar” cobras, desvalorizei e ri-me. Depois, numa tarde quente de julho, uma vizinha chamou-me para ver o que se escondia nos arbustos espessos e brilhantes junto à vedação do quintal. Aproximámo-nos, afastando folhas lustrosas que cheiravam ligeiramente a doce e quase a citrinos. Foi então que o vimos: um corpo comprido e com padrão, enrolado serenamente à sombra, tão à vontade como se tivesse assinado um contrato de arrendamento.

Ela tinha plantado aqueles arbustos por privacidade e perfume. Em vez disso, tinha construído um resort para répteis.
A planta tinha um nome encantador, um aspeto exuberante e um talento secreto para atrair exatamente os hóspedes que ela mais temia.

A planta surpreendentemente bonita que transforma o seu quintal num lounge para cobras

Pergunte a herpetólogos e especialistas em controlo de pragas no exterior que planta proibiriam em jardins de quem tem medo de cobras, e há um nome que surge vezes sem conta: sebes de jasmim densas e rasteiras. Não o delicado jasmim-estrelado em vaso a trepar numa treliça, mas sim aqueles matagais grandes, emaranhados e perenes de jasmim que as pessoas usam como paredes vivas.

Cheiram de forma incrível numa noite de verão. Mantêm-se verdes quando tudo o resto já parece cansado.
E também oferecem às cobras exatamente o que elas mais apreciam: sombra fresca, cobertura apertada e um buffet de pequenos animais a passar pelas raízes.

Um técnico de controlo de pragas com quem falei descreveu uma casa onde toda a linha da vedação traseira estava soterrada sob uma sebe brilhante de jasmim, com cerca de metro e meio de profundidade. À superfície, era lindíssima. Pássaros entravam e saíam a esvoaçar. Abelhas trabalhavam nas flores. As fotos da família no Instagram pareciam saídas de um folheto de viagens.

Depois, ao anoitecer, o cão começou a ladrar. Repetidamente.

Quando o técnico finalmente cortou a sebe, encontrou peles de cobra mudadas, um sistema de tocas de roedores e uma cobra viva estendida sobre o solo fresco, totalmente escondida a apenas 20 centímetros para dentro da folhagem.

As cobras não são atraídas pelo jasmim porque adoram as flores. São atraídas porque plantas espessas, baixas e perenes criam o microclima perfeito. O solo mantém-se húmido. A luz fica filtrada. Pequenos mamíferos usam as raízes e as folhas caídas como abrigo - o que significa uma fonte constante de alimento.

Do ponto de vista da cobra, uma sebe de jasmim grande e por podar é um motel longo e sombrio com serviço de quartos.
E, uma vez que encontrem um local assim no verão, muitas regressam ao mesmo abrigo dia após dia.

Como manter as cobras afastadas sem transformar o quintal num parque de estacionamento

Não precisa de arrancar todas as plantas e viver sobre brita para reduzir o risco de cobras. Mas precisa de quebrar aquilo a que os especialistas chamam “cobertura contínua”. Ou seja: evitar túneis longos, densos e ao nível do chão feitos de arbustos, onde uma cobra pode deslizar por vários metros sem ser vista.

Comece por “levantar” a copa de qualquer sebe densa. Pode os ramos inferiores para conseguir ver uma linha clara de tronco ou caules nus a 20–30 centímetros acima do solo.

Luz solar no chão, ar a circular livremente e menos recantos escuros tornam imediatamente o seu jardim menos atrativo como esconderijo para répteis.

Muitos jardineiros fazem exatamente o contrário, muitas vezes sem se aperceber. Plantam jasmim ou outros arbustos densos encostados a vedações, deixam-nos arrastar pelo chão e depois acumulam mulching (cobertura orgânica) ou pedras na base para “rematar o aspeto”. Para nós, parece exuberante e acolhedor. Para uma cobra, é um corredor perfeito.

Todos já passámos por aquele momento em que percebemos que o nosso amor pelo verde criou, sem querer, um esconderijo para algo que não queremos encontrar descalços.

Em vez de sebes longas, pense em ilhas. Separe grupos de plantas com relvado aberto, caminhos de gravilha ou até linhas largas de passadeiras de pedra que interrompam essa sombra contínua e secreta.

Os especialistas repetem o mesmo princípio: não pense apenas em beleza, pense em estrutura. Um especialista em vida selvagem disse-me:

“As cobras seguem abrigo e alimento. Se as suas plantas criam um túnel e o seu solo esconde ratos, basicamente desenhou-lhes um mapa.”

Para reescrever esse mapa, substitua configurações densas e “amigas de cobras” por disposições como:

  • Canteiros elevados com bordos limpos e bem definidos
  • Trepadeiras conduzidas em treliças, em vez de deixadas a alastrar ao nível do solo
  • Perenes baixas e abertas, em vez de sebes sólidas até ao joelho
  • Faixas de gravilha ou relva cortada entre grupos de arbustos
  • Compostores bem fechados, em vez de montes soltos de resíduos de jardim

Viver com a natureza… sem acolher o que lhe dá arrepios

Quando começa a olhar para o seu quintal pelos olhos de uma cobra, é difícil deixar de ver o convite que algumas plantas enviam. Aquela grande parede de jasmim junto à vedação, a hera a rastejar pelo chão, os arbustos demasiado crescidos encostados ao anexo: deixam de ser “verdura” e passam a ser potenciais abrigos de verão.

O objetivo não é eliminar a vida do seu espaço. É escolher que tipo de vida está a incentivar.

Alguns jardineiros decidem que não se importam de partilhar o espaço com cobras-de-água inofensivas, desde que saibam o que existe por ali. Outros, sobretudo com crianças pequenas ou animais de estimação, preferem limites mais claros: sebes levantadas, menos matagais densos, mais visibilidade em torno de caminhos e pátios. Não há uma única resposta certa; há apenas o que o ajuda a sair lá fora sem aquela sensação tensa de estar sempre a inspeccionar.

Sejamos honestos: ninguém inspeciona todos os arbustos antes de estender a roupa ou deixar o cão sair. Por isso, quanto mais o seu layout reduzir naturalmente os esconderijos, mais leve se sente durante todo o verão.

Talvez agora olhe de forma diferente para a sua sebe de jasmim - ou para aquele plano de “encher a vedação toda” com um verde espesso e perfumado. Talvez ainda a cultive, mas conduza-a numa treliça, mantenha a base aberta e quebre a linha em secções. Talvez escolha antes um arbusto mais solto e arejado.

Seja como for, este é o poder discreto de saber o que os especialistas sabem. Algumas pequenas escolhas estruturais podem decidir se o seu quintal é apenas mais uma paragem na rota de verão de uma cobra - ou um lugar por onde ela desliza, à procura de abrigo mais denso algures adiante.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Se bes densas de jasmim atraem cobras Cobertura espessa, perene e ao nível do chão oferece sombra, abrigo e presas Ajuda a identificar e repensar escolhas de plantação arriscadas
Quebrar a cobertura contínua Levantar a copa das sebes, adicionar faixas abertas, usar “ilhas” de plantação Reduz “túneis” escondidos que as cobras gostam de usar
Conceber com estrutura, não apenas com aspeto Privilegiar bases abertas, trepadeiras em treliça e zonas de solo visíveis Mantém o quintal atrativo enquanto reduz encontros indesejados com fauna selvagem

FAQ:

  • Pergunta 1: Todas as plantas de jasmim são más se eu tiver medo de cobras?
    Não necessariamente. O principal problema é a sebe densa ao nível do solo, que cria corredores longos e sombrios. Jasmim conduzido numa treliça, com espaço livre na base, é muito menos atrativo para cobras.
  • Pergunta 2: As cobras vêm pelas flores ou pelo cheiro?
    As cobras não são atraídas pela fragrância. Procuram abrigo fresco e presas como ratos, rãs ou lagartos, que usam arbustos densos e raízes como cobertura.
  • Pergunta 3: Que plantas são mais seguras se eu não quiser atrair cobras?
    Perenes de porte aberto, gramíneas ornamentais com espaço entre touceiras e arbustos com troncos visíveis e boa circulação de ar na base são, em geral, menos apelativos como esconderijos.
  • Pergunta 4: Remover uma sebe elimina imediatamente as cobras?
    Não, mas remove um abrigo e uma área de alimentação importantes. Combinado com o solo mais limpo, frestas seladas sob anexos e menos montes de detritos, pode reduzir significativamente as visitas.
  • Pergunta 5: Matar cobras é a única solução se aparecerem?
    Os especialistas recomendam fortemente alterações ao habitat e, quando necessário, recolocação por profissionais. Muitas cobras são protegidas ou benéficas e ajudam a controlar naturalmente populações de roedores.

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