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Higiene após os 65 anos: descubra a frequência ideal de banho para se manter saudável.

Mulher sorridente enxugando o rosto com toalha branca numa casa de banho iluminada pelo sol.

O ventilador da casa de banho zumbia suavemente enquanto Elaine, 72 anos, se apoiava no lavatório e estudava o seu reflexo. A filha acabara de enviar uma mensagem: “Mãe, devias mesmo tomar banho todos os dias, é melhor para a higiene.” Elaine olhou para a pele fina, para as nódoas negras que apareciam quase do nada, para a pequena mancha vermelha no braço que se inflamava sempre que ficava tempo demais debaixo de água quente.

Lembrou-se dos anos 80, quando as revistas gritavam que uma “mulher moderna” se lavava da cabeça aos pés todos os dias, sem desculpas. Na altura, tinha energia para isso. Agora, um banho completo parecia uma pequena expedição, com azulejos escorregadios e o coração a disparar quando tentava lavar os pés.

Fechou a torneira, agarrou na toalha de rosto e pensou: e se a regra antiga simplesmente já não se ajustasse à sua idade?

Com que frequência deve mesmo tomar banho depois dos 65?

Pergunte a dez pessoas com mais de 65 anos com que frequência tomam banho e ouvirá dez respostas diferentes. Algumas continuam a entrar debaixo de água todas as manhãs por hábito. Outras admitem em voz baixa que “se esquecem” durante vários dias, sobretudo no inverno, quando despir-se parece uma batalha.

A verdade está algures entre esses extremos. Tomar banho todos os dias não é um padrão-ouro universal depois da reforma. Para muitos corpos mais velhos, é demasiado secante, demasiado cansativo e, por vezes, até arriscado. Chãos escorregadios, tonturas e quebras de tensão não são lendas urbanas. São histórias reais de casas de banho reais.

Por isso, a pergunta muda: não “com que frequência é normal?”, mas “que ritmo mantém a sua pele, a sua energia e a sua dignidade intactas?”

Veja-se Georges, 79 anos, carpinteiro reformado que ainda vai a pé comprar o pão todas as manhãs. Até uma queda no duche no ano passado, lavava-se da cabeça aos pés todos os dias: água a escaldar, sabonete grande, a mesma rotina desde os tempos do exército. Um dia, escorregou ao esticar-se para o champô, partiu duas costelas e, de repente, o banho diário deixou de parecer heroico. Passou a parecer perigoso.

O médico sugeriu algo que o chocou: banho completo duas a três vezes por semana, mais uma lavagem rápida “de cima e de baixo” ao lavatório nos outros dias. Em um mês, a pele deixou de coçar, as fissuras vermelhas nas pernas desapareceram e o medo da casa de banho diminuiu.

Georges garante que, na verdade, se sente mais limpo agora, simplesmente porque já não fica exausto depois de se lavar.

O que muitas pessoas não percebem é que a pele envelhecida muda radicalmente. A barreira protetora fica mais fina, a produção de oleosidade diminui e a famosa “sensação de frescura do banho” pode transformar-se em pele repuxada, descamativa, quase como papel. A água quente e os sabonetes agressivos retiram a pouca hidratação natural que ainda resta.

A partir dos 65, os dermatologistas recomendam frequentemente tomar banho duas a três vezes por semana para a maioria das pessoas, com lavagem localizada nos dias “intermédios”. Esse ritmo respeita a pele, reduz o risco de quedas e ainda controla odores e infeções.

Verdade nua e crua: o corpo de uma pessoa de 70 anos não reage como o corpo de uma pessoa de 30, e as regras de higiene também têm de envelhecer.

O ritmo semanal que o mantém fresco e em segurança

Um ponto de partida prático para muitas pessoas depois dos 65 é este: banho completo duas ou três vezes por semana e lavagem curta, direcionada, nos restantes dias. Não é glamoroso. É muito eficaz.

Pense nisso como um ritmo, não como um horário rígido. Por exemplo: banho completo à segunda, quinta e sábado. Nos outros dias, uma toalha morna húmida ou água micelar para as “zonas prioritárias”: axilas, virilhas, pés, pregas da pele e zona íntima (com suavidade). O rosto pode ser lavado à parte, com um produto suave, ao lavatório.

Este tipo de rotina respeita a sua energia. Reduz o tempo de pé debaixo de água a correr. E dá à pele pausas suficientes para reconstruir a sua película natural, o seu melhor guarda-costas.

Muitos idosos sentem uma vergonha secreta quando não conseguem acompanhar a regra do banho diário que seguiram durante décadas. Dizem a si próprios que “se estão a deixar ir”, quando o verdadeiro problema é que o corpo mudou, mas o guião não. Todos já passámos por esse momento em que percebemos que uma regra antiga já não serve a nossa vida, e ainda assim o cérebro continua a sussurrar que estamos errados.

Além disso, alguns cuidadores ou familiares insistem em banhos diários porque isso parece prova de “bons cuidados”. No entanto, as mesmas famílias queixam-se depois de pele seca e gretada ou de infeções urinárias recorrentes causadas por lavagens excessivas com produtos agressivos.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias exatamente da mesma forma, sem falhar, sem adaptar. A vida real não funciona como um cartaz de higiene.

Se um especialista pudesse sussurrar-lhe ao ouvido antes de entrar no duche, talvez soasse assim:

“Prefiro vê-lo lavar-se bem três vezes por semana e sentir-se forte, do que lutar todos os dias e sair com a pele ferida e com medo de cair”, diz a Dra. Lena Ruiz, geriatra. “Limpo não é o mesmo que esfregado até ao osso.”

Para ajudar, pense em pequenas regras protetoras:

  • Limite a duração do banho: cerca de 5–10 minutos, com água morna, não quente.
  • Use um detergente de limpeza suave, sem perfume, apenas nas axilas, virilhas, pés e em qualquer zona visivelmente suja.
  • Seque com toques suaves em vez de esfregar, especialmente braços, canelas e peito.
  • Aplique um hidratante simples logo a seguir, quando a pele ainda está ligeiramente húmida.
  • Adapte a frequência padrão: duas a três duches semanais para a maioria, a menos que suor, calor ou motivos médicos peçam mais.

Este tipo de rotina mínima e cuidadosa faz muitas vezes mais pela saúde do que qualquer ritual diário “perfeito”.

Higiene como forma de se sentir vivo, não apenas “limpo o suficiente”

Por trás da conversa técnica sobre frequência e produtos há algo mais íntimo. A higiene depois dos 65 não é apenas evitar odores ou infeções. É sentir-se presente no próprio corpo. É não ter medo da casa de banho. É manter um pequeno prazer privado: água morna nos ombros, a satisfação de roupa fresca, o momento silencioso diante do espelho.

Algumas pessoas descobrem que reduzir o ritmo de banho liberta força para outras coisas: caminhar até ao parque, cozinhar para um amigo, ler durante a tarde sem precisar de uma sesta. Outras percebem que lavar-se ao lavatório com um sabonete de que gostam e uma toalha macia pode ser tão digno quanto, sobretudo em dias de pouca energia.

Cada pessoa tem o seu ponto ideal: o equilíbrio entre sentir-se limpo, manter a pele calma e ficar seguro em azulejos molhados. O “ritmo certo” é aquele que lhe permite prosperar, não apenas aguentar. Se perguntasse ao seu eu futuro, aos 85 anos, o que mais importou, provavelmente responderia: conforto, confiança e um hábito simples que consegue manter, dia após dia, ano após ano.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Ajustar a frequência 2–3 banhos completos por semana + lavagem diária direcionada Respeita a pele envelhecida mantendo a sensação de frescura
Proteger a pele Duches curtos e mornos, produto suave, hidratante no fim Reduz secura, comichão e microfissuras
Priorizar a segurança Tapetes antiderrapantes, barras de apoio, sentar-se para lavar Diminui o risco de quedas e preserva a independência

FAQ:

  • Com que frequência deve uma pessoa com mais de 65 anos tomar banho? Para muitos idosos saudáveis, dois a três banhos completos por semana, mais lavagem diária “de cima e de baixo”, é suficiente para se manter limpo e prevenir odores, desde que axilas, virilhas, pés e pregas da pele sejam lavados regularmente.
  • Tomar banho todos os dias é mau para idosos? Nem sempre, mas banhos frequentes com água quente e muito sabonete podem secar e fragilizar a pele envelhecida, aumentar a comichão e elevar o risco de quedas. Se a energia é baixa ou a pele é frágil, reduzir a frequência costuma ajudar.
  • Qual é a melhor forma de se lavar nos dias sem duche? Use uma toalha morna húmida ou um produto de limpeza sem enxaguamento para limpar suavemente axilas, virilhas, pés, zona genital e quaisquer zonas sujas; depois seque com cuidado, especialmente nas pregas.
  • Que produtos são mais seguros para a pele envelhecida? Produtos de limpeza suaves, sem perfume e indicados para pele sensível, sem esfoliantes agressivos, e um hidratante simples, não gorduroso, aplicado logo após a lavagem são boas bases.
  • E se um dos pais se recusar a tomar banho? Comece por ouvir e explorar a razão: medo de cair, frio, cansaço, pudor. Ofereça alternativas como duches mais curtos, sentar-se num banco, aquecer mais a divisão ou “banhos” com toalha, e negoceie um ritmo realista em vez de insistir numa rotina diária rígida.

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