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Nem Nivea nem Neutrogena: especialistas elegem novo hidratante número um.

Pessoa aplica creme no braço de outra pessoa, com frascos de produtos de cuidados da pele ao lado.

Prateleiras cheias de frascos e dispensadores e, mesmo assim, a pele já está a repuxar ao meio‑dia. Muitas vezes, o problema não é “falta de creme”: é uma barreira cutânea fragilizada (frio/vento, aquecimento ligado, limpeza agressiva, retinóides/ácidos, máscara).

Quando a barreira está comprometida, há mais perda de água e aumenta a sensibilidade: a pele pode arder com produtos que antes tolerava, descamar e ficar “irritada” mesmo sem borbulhas. A prioridade passa a ser estabilizar antes de pedir milagres aos ativos.

Conheça o novo número um: o campeão “barreira em primeiro lugar” que os dermatologistas não se cansam de recomendar

Os clássicos continuam úteis (já lá vamos), mas o nome que aparece repetidamente em rotinas focadas em tolerância é o CeraVe Creme Hidratante. Não é um produto “de sensação”: é uma fórmula pensada para repor barreira e manter conforto com poucas variáveis irritantes.

O que interessa no rótulo (e porquê):

  • Ceramidas (3): ajudam a repor lípidos essenciais da barreira (a “argamassa” entre células).
  • Glicerina + ácido hialurónico (sodium hyaluronate): puxam água para a camada superficial e reduzem a sensação de repuxar.
  • Oclusão suave (ex.: dimeticone) + emolientes: diminuem a evaporação de água sem depender de perfume para “parecer” que resulta.

Isto é especialmente relevante quando usa retinol/retinóides, AHA/BHA ou vitamina C: é comum confundir ardor com “estar a funcionar”. Um hidratante de barreira não compete com ativos - aumenta a margem de tolerância, para conseguir consistência sem irritação crónica.

Pequenas regras que evitam desilusões:

  • “Sem fragrância” costuma ajudar, mas não garante tolerância (a pele pode reagir a outros componentes).
  • Textura rica não significa automaticamente poros entupidos - o erro mais comum é aplicar a mesma quantidade em todo o rosto, especialmente na zona T.
  • Se houver ardor persistente, fissuras, eczema a piorar ou pele “em ferida”, pause os ativos por alguns dias e simplifique; se não melhorar, vale a pena pedir orientação médica.

Como tirar o máximo partido: pequenos ajustes que mudam o resultado

Aqui, o que muda o resultado é timing + técnica, não “mais produto”.

Aplicação que rende (e costuma funcionar melhor):

  1. Lave com água morna (não quente) e um gel/syndet suave; evite limpeza “a chiar” (sinal de agressão).
  2. Seque com toques e aplique com a pele ainda ligeiramente húmida.
  3. Use, para o rosto, entre uma ervilha e uma moeda pequena (aumente só onde repuxa).
  4. Pressione em vez de esfregar; reforce nas maçãs do rosto e contorno do nariz.

A regra dos 60 segundos: aplique o hidratante até 60 segundos após a limpeza. Em pele desidratada, esta janela muitas vezes dá mais resultado do que trocar de creme.

Zona T vs. resto do rosto (o erro comum):

  • Testa/nariz/queixo: camada fina.
  • Bochechas/contorno do nariz: camada mais generosa.
  • Se houver brilho ao meio‑dia, não “re-hidrate” tudo: retire o excesso e aplique um grão de arroz só onde repuxa.

Com retinóides/ácidos (menos irritação, mesmos resultados):

  • Método “sanduíche”: hidratante fino → retinóide → hidratante fino nas zonas sensíveis.
  • Ao iniciar retinóide, muitas pessoas toleram melhor 2–3 noites/semana, subindo gradualmente; misturar vários esfoliantes na mesma noite é um erro frequente.

Manhã não é opcional: o hidratante ajuda, mas protetor solar reduz inflamação e protege a barreira. Para pele reativa, filtros minerais podem ser mais confortáveis (com o trade‑off de, por vezes, deixar esbranquiçado). Se o objetivo é uso diário em Portugal, um SPF 30 ou 50 tende a ser a escolha prática.

Dica prática: pense no hidratante como “cimento” - primeiro repara, depois otimiza.

  • Faça teste de contacto atrás da orelha 48 horas antes de usar no rosto inteiro.
  • Ordem de camadas: limpar → sérum hidratante (opcional) → creme → protetor solar (de manhã).
  • Boião partilhado (rosto/corpo): use mãos bem lavadas (ou espátula) para reduzir contaminação.

Nem Nivea nem Neutrogena… então o que acontece aos clássicos?

Continuam úteis - só que para funções diferentes.

  • Nivea Creme: muito oclusivo e “pesado”; costuma ser ótimo para cotovelos, calcanhares, cutículas e como camada final no frio/vento. Em rostos com tendência a borbulhas, pode ser demasiado para uso diário.
  • Neutrogena Hydro Boost (gel): leve e confortável para pele oleosa ou para quem não tolera textura rica. Se a barreira está fragilizada, pode saber a “pouco” sozinho (falta de lípidos/oclusão).

O “novo número um” não apaga estes produtos: muda a prioridade. Primeiro, pele estável; depois, extras. Em quem usa retinóides, tem assaduras de máscara ou sensibilidade a fragrâncias, um creme de barreira costuma ser a base mais previsível.

Ao fim de algumas semanas, o sinal nem sempre é “glow”: é menos ardor, menos descamação, maquilhagem a assentar melhor e menos produtos a picar - e isso reduz a tentação de trocar de rotina todas as semanas.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Novo #1 Creme Hidratante CeraVe: ceramidas + humectantes + oclusão suave, sem fragrância Rotina mais estável e previsível
Melhor forma de usar Aplicar na pele húmida até 60 s após limpeza; ajustar por zonas Mais conforto com menos produto
Compatível com ativos “Sanduíche” com retinóides/ácidos nas zonas sensíveis Menos irritação sem abandonar resultados

FAQ:

  • Este creme é não comedogénico? Está rotulado como não comedogénico e muita gente com pele acneica tolera bem. Comece com camada fina na zona T e aumente só onde repuxa.
  • Como se compara ao Neutrogena Hydro Boost? O Hydro Boost tende a ser mais leve (gel). O CeraVe é mais focado em barreira e costuma “aguentar” melhor o frio/vento e rotinas com ativos.
  • Posso usar com retinol? Sim. Use o método “sanduíche” nas zonas sensíveis e evite juntar, na mesma noite, retinol + esfoliantes fortes se estiver a irritar.
  • E pele com tendência a eczema? Muitas pessoas toleram bem por ser sem fragrância e orientado à barreira. Em crises, simplifique a rotina; se houver fissuras, dor intensa ou piora rápida, procure orientação médica.
  • Rosto e corpo ou só rosto? Ambos. Se usar o boião, mantenha hábitos de higiene (mãos lavadas/espátula).

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