Saltar para o conteúdo

Netflix: É um dos melhores filmes de ação e aventura de sempre e só tens mais 4 dias para o ver.

Sala com TV ligada, tigela de pipocas, mão segurando comando remoto, ampulheta e livro sobre mesa de madeira.

Em geral, ignoramo-lo, convencidos de que ainda vamos a tempo. Depois os dias passam a correr, fazemos scroll, hesitamos, e de repente o alerta torna-se real: faltam apenas quatro dias. Aí, a vontade transforma-se numa urgência suave, quase um desafio. É exatamente isto que está a acontecer com um dos melhores filmes de ação/aventura das últimas duas décadas, escondido no catálogo como uma bomba-relógio. Um filme que mistura perseguições, paisagens alucinantes, acrobacias insanas… e um verdadeiro coração. A Netflix vai removê-lo dentro de quatro dias. Depois, acabou - ou, pelo menos, vai ser muito menos simples de ver. E se o deixasses desaparecer sem o teres vivido num grande ecrã de sala, luz apagada, som no máximo? A pergunta aparece sozinha.

A obra-prima de ação/aventura que a Netflix se prepara para retirar do catálogo

Abres a Netflix numa noite, hesitas entre uma série mediana e um filme que já viste três vezes. E depois dás com aquela faixa vermelha: “Último dia para ver em 4 dias”. O filme é Mad Max: Fury Road, considerado por muitos um dos maiores filmes de ação/aventura de sempre. Estreou em 2015, ganhou quatro Óscares técnicos, tem um Tom Hardy quase mudo, uma Charlize Theron possessa, e cenas de perseguição que parecem pinturas vivas. É cru, quase selvagem. Sentes o pó, o calor, a gasolina. Dizes a ti mesmo que podes esperar até amanhã. Má ideia.

Na altura da estreia, Mad Max: Fury Road arrasou com tudo. A crítica elogiou-o, falando de “ópera de metal” e de “loucura cinematográfica pura”. O filme fez mais de 375 milhões de dólares nas bilheteiras e tornou-se instantaneamente um clássico, adorado até por realizadores. Christopher Nolan, Edgar Wright, Denis Villeneuve - todos saudaram a encenação de George Miller. Na Netflix, o filme teve uma segunda vida silenciosa: milhões de visualizações, um passa-palavra discreto mas teimoso, aquele tipo de título que um amigo recomenda com um simples “Tens de o ver até ao fim, sem telemóvel”. E de repente a Netflix carrega no botão: data de saída.

Porque é que custa tanto quando um filme destes desaparece? Porque Fury Road não é apenas “um bom filme de ação”. É uma demonstração do que o cinema consegue fazer quando decide filmar “a sério”, com acrobacias físicas, camiões a rasgar o deserto, pouco CGI e muito risco. A história, apesar de simples - uma fuga pelo deserto, uma busca pela liberdade - transforma-se numa espécie de fábula moderna sobre sobrevivência, poder, o corpo feminino, redenção. Tudo passa pelo movimento, pela montagem, pelos olhares. Não precisas de conhecer a saga Mad Max para ficares agarrado. Entras naquele comboio e, duas horas depois, voltas a respirar. Um bocado abalado.

Como aproveitar ao máximo Mad Max: Fury Road antes de se evaporar

Se decidires carregá-lo nos próximos quatro dias, não o ponhas “como fundo” enquanto fazes scroll no telemóvel. Este filme exige um pequeno ritual. Desliga as notificações, baixa a luz, sobe o som um pouco acima do habitual. Deixa que os primeiros minutos te instalem: o deserto, o roncar dos motores, as silhuetas esbranquiçadas. Repara nos rostos, não apenas nas explosões. Podes até ativar legendas em inglês para apanhares melhor os raros diálogos. Não é um filme para ir petiscando, é uma travessia. E, se puderes, vê-o de seguida, sem pausas. A montagem foi pensada como uma única aceleração contínua.

Todos já vivemos aquele momento em que começamos um filme “só para ver” e acabamos por adormecer a meio, exaustos do dia. Com Fury Road, acontece muitas vezes o contrário. Começas um pouco cético, dizes que é “só um filme de carros no deserto”, e vinte minutos depois estás colado ao sofá. Os números confirmam: nas exibições em TV e streaming, a taxa de visualização até ao fim é surpreendentemente alta para um filme tão intenso, porque cada sequência empurra a seguinte um nível mais longe. Uma simples perseguição torna-se uma batalha coreografada com lança-chamas, varas que balançam acrobatas de um camião para o outro, um guitarrista suspenso a debitar riffs no meio de explosões. É absurdo, mas resulta.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias - dizer “Hoje vou viver um filme, a sério”. Vamos a correr. Consumimos. Aqui tens uma oportunidade de fazer o inverso. Ver Mad Max: Fury Road agora, antes de desaparecer, é quase um pequeno ato de resistência contra a lógica do scroll infinito. Ofereces-te um parêntesis de duas horas, fechado, acabado, concebido como uma obra total. E tocas noutra realidade do streaming: os catálogos mudam constantemente. Um filme sai da Netflix porque os direitos expiram, porque outro serviço o apanha, porque um contrato chega ao fim. Não tens controlo sobre isso. Mas tens controlo sobre aquilo que escolhes ver antes de ser tarde demais.

Não deixar fugir as pérolas: alguns reflexos simples

Há um gesto simples que muda tudo com este tipo de filmes: adicionar à tua lista assim que vês a faixa “Último dia para ver”. É básico, quase parvo, mas cria um lembrete visual sempre que abres a Netflix. Também podes marcar um mini “encontro de cinema” dentro destes quatro dias: uma hora certa, numa noite, em que cortas tudo e reservas o filme. Se vives com outras pessoas, propõe uma sessão conjunta, cada um com o seu snack preferido, como se fossem ao cinema. O objetivo não é seres produtivo, é viveres esta obra a sério antes de ela escapar do catálogo.

O grande erro é dizer “Vejo no fim de semana” sem apontar em lado nenhum. Chega o fim de semana, estás cansado, escolhes algo mais curto, e na segunda-feira o filme já foi. A Netflix não faz grande barulho quando um título desaparece. A outra armadilha é acreditar que um filme vai voltar de certeza. Às vezes volta, às vezes não. Alguns filmes demoram anos a reaparecer, presos entre plataformas ou acordos de distribuição. Podes sentir-te quase estúpido por teres perdido um clássico acessível com um clique. A ideia não é adicionar pressão, é evitar aquele travo amargo.

“Quase que o deixei passar”, conta o Léo, 29 anos. “Foi o meu colega de casa que viu o ‘Último dia’ e que literalmente me obrigou a carregar no Play. Eu achava que ia ser só barulho e destruição. Não estava à espera de ficar tão tocado por um filme com tantos motores e tanto pó.”

Para te ajudar a não deixares escapar os próximos “Fury Road” do catálogo, guarda este pequeno memo:

  • Vigia regularmente a categoria “Sai em breve da Netflix”.
  • Adiciona à tua lista os filmes que aparecem muitas vezes nos tops ou nos rankings “melhores de sempre”.
  • Reserva um verdadeiro horário, como se fosse um compromisso, assim que um filme de culto tiver data limite.

Não é uma fórmula milagrosa - são só alguns reflexos para voltares a colocar um pouco de escolha consciente no meio do fluxo de conteúdo. E para não acordares daqui a uma semana a dizer: “Ah pois, eu tinha dito que ia ver Mad Max”.

E depois dos créditos, o que é que te fica?

Quando entram os créditos de Mad Max: Fury Road, acontece muitas vezes algo estranho: ficamos ali, imóveis, como depois de um concerto demasiado alto. Voltamos a pensar na Furiosa, no camião-cidadela, naquelas mulheres que atravessam o deserto para encontrar um lugar onde se possa viver de outra forma. E damos por nós a falar de símbolos, poder, dependência de recursos, quando acabámos de passar duas horas rodeados de motores e poeira. Essa é a força de um grande filme de ação/aventura: primeiro agarra-te pelas entranhas e, no fim, fica a trabalhar-te a cabeça.

O mais interessante é o que vem a seguir, nas conversas. Cada um repara num detalhe diferente: tu ficas preso à prestação de Charlize Theron, um amigo à encenação de George Miller, outra pessoa à forma como os corpos são filmados. Acabamos a discutir quem é a “verdadeira” heroína do filme, a comparar a versão da Netflix com a memória do cinema, a procurar análises no YouTube. Já não é apenas “uma coisa que vimos” - é uma experiência partilhada. Criam-se memórias a partir de duas horas em frente a um ecrã. E isso, no fim de contas, conta.

Portanto, tens quatro dias para transformar este título perdido no catálogo numa verdadeira noite memorável. Talvez o adores, talvez aches demasiado barulhento, demasiado intenso. Mas vais saber do que toda a gente fala quando se menciona “um dos maiores filmes de ação/aventura de sempre”. Podes decidir por ti, e não apenas repetir o que dizem os rankings. E, sobretudo, vais ter usado a Netflix como um cinema de bolso - não apenas como ruído de fundo. A contagem decrescente já começou.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Um filme de culto que está a sair Mad Max: Fury Road sai da Netflix daqui a 4 dias Aproveitar a oportunidade de descobrir ou rever um clássico antes de ser removido
Uma experiência para viver a sério Recomendado ver sem distrações, com um verdadeiro “ritual” de cinema Maximizar o prazer e o impacto emocional do filme
Adotar bons hábitos Vigiar saídas, adicionar à lista, reservar um horário Não voltar a deixar escapar grandes obras que passam pouco tempo na plataforma

FAQ:

  • Qual é o filme de ação/aventura que vai ser retirado daqui a 4 dias? Trata-se de Mad Max: Fury Road, o explosivo quarto capítulo da saga imaginada por George Miller.
  • Vale a pena se eu nunca vi os outros Mad Max? Sim, totalmente. A história funciona por si, os conflitos são claros e podes entrar neste universo sem conhecer os episódios anteriores.
  • O filme é muito violento? É intenso, por vezes brutal, mas a violência é estilizada, mais coreografada do que gratuita. Se aguentas os grandes filmes de ação recentes, deves ver sem problemas.
  • Porque é que a Netflix retira um filme tão popular? A presença de um filme depende de contratos de direitos limitados no tempo. Quando esses acordos expiram, o título sai do catálogo, mesmo que seja muito apreciado.
  • Onde posso ver Mad Max: Fury Road depois de sair da Netflix? Depende do território: pode voltar noutra plataforma, ser disponibilizado em VOD pago, ou ficar apenas em Blu-ray/DVD. Nada garante que continue tão facilmente acessível como hoje.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário