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O sinal psicológico transmitido por quem explica demais assuntos simples.

Duas pessoas conversam numa mesa de café com um bloco de notas e café à frente.

“Explicar demais é o que as pessoas ansiosas fazem com a sua inteligência quando não se sentem seguras.”

A mulher na reunião sorri com demasiada força, inclina o portátil na direção da sala e começa a explicar… como copiar e colar um link.
Toda a gente sabe fazê-lo, mas ela avança passo a passo, com cuidado, preenchendo o silêncio com palavras, confirmando se as pessoas “estão a acompanhar até aqui”.
Sente-se a energia a mudar. Um par de colegas baixa os olhos para o telemóvel. A mandíbula de alguém contrai-se, só um pouco.

No papel, ela não está a fazer nada de errado. Quer ajudar. Quer ser cristalina.
E, no entanto, a explicação excessiva cai como um pequeno insulto - uma mensagem silenciosa que diz: “Não confio bem que consigas perceber isto.”
A maioria de nós já esteve dos dois lados desse momento - o de quem explica demais e o de quem se sente infantilizado.

O que é que se passa, de facto, na mente de alguém que explica coisas simples com grande detalhe?
E o que é que essa pessoa está a dizer, sem o querer, a toda a gente na sala?

A mensagem escondida por trás de explicar demais coisas simples

À superfície, explicar demais costuma soar a cuidado, mas por baixo está a transmitir algo mais profundo.
Quando alguém descreve cada micro-passo de um processo básico, não está apenas a ensinar - está a gerir a sua própria ansiedade.
Está a tentar evitar ser mal interpretado, criticado ou exposto como “pouco claro”.

Por isso, a explicação cresce.
O que podia ser dito em duas linhas torna-se num monólogo de cinco minutos, cheio de ressalvas e apartes.
Para quem fala, parece rigor. Para quem ouve, pode soar a ser lentamente embrulhado em plástico-bolha que nunca pediu.

A nível psicológico, explicar demais envia um sinal misto: “Importo-me que percebas, mas não acredito totalmente na tua competência.”
É essa tensão que as pessoas sentem, muitas vezes com uma irritação que nem conseguem nomear bem.

Veja-se o Daniel, gestor de projeto de 34 anos, orgulhoso por ser “super claro” com a equipa.
Ele acompanha os novos colegas em como enviar um convite de calendário, onde clicar no Slack, como renomear um ficheiro na drive partilhada.
As chamadas de integração estendem-se por duas horas para tarefas que muita gente faz desde a universidade.

Uma tarde, um colega mais novo diz-lhe com delicadeza: “Não é preciso explicares essa parte. Nós sabemos.”
O Daniel ri-se, desvaloriza, mas mais tarde fica acordado a repetir o comentário na cabeça.
Percebe que o seu excesso de explicação tem menos a ver com as competências deles e mais com o seu medo de ser culpado se algo correr mal.

A investigação sobre comunicação no trabalho confirma isto.
Pessoas com níveis elevados de ansiedade traço e perfeccionismo tendem a clarificar demais, justificar demais e detalhar demais.
Não estão a tentar ser condescendentes - estão a tentar proteger a imagem de serem “fiáveis” e “em cima do assunto”.

Explicar demais é uma forma de controlo disfarçada de gentileza.
Ao explicitar tudo, quem fala tenta fechar todas as brechas por onde o caos, a confusão ou a crítica possam entrar.
É uma estratégia de segurança, mesmo que não pareça.

Há também um sinal de poder em jogo.
Quando alguém explica rotineiramente coisas simples aos outros, coloca-se, silenciosamente, no papel de “professor” e coloca os restantes no papel de “alunos”.
Essa hierarquia é o que pode fazer as pessoas reagirem, mesmo quando as palavras soam educadas.

Do que é que quem explica demais tem realmente medo (e como mudar)

O medo central por trás de explicar demais de forma crónica costuma ser alguma versão de: “Se não perceberem, vai ser culpa minha.”
É por isso que tantas pessoas que explicam demais carregam as conversas de detalhes, ressalvas e contexto.
Estão a tentar construir um caso à prova de água contra uma culpa futura.

Uma mudança simples ajuda: passar de “explicar tudo” para “confirmar o que é necessário”.
Em vez de arrancar com um monólogo, comece com uma pergunta como: “Quão familiarizado(a) estás com esta ferramenta?”
Ou: “Preferes a versão curta ou uma explicação detalhada?”

Isto faz duas coisas ao mesmo tempo.
Trata a outra pessoa como um adulto capaz e dá-lhe informação em tempo real sobre quanta explicação é realmente útil.
Deixa de estar a adivinhar - passa a colaborar.

Um método prático é a “explicação de uma respiração”.
Diga o que precisa de dizer de forma a caber numa única respiração calma.
Se a outra pessoa se inclinar ou fizer uma pergunta, então adiciona detalhe.

Por exemplo, em vez de um tutorial de cinco passos sobre como enviar um PDF, pode dizer: “Podes exportar isso como PDF no menu Ficheiro; diz se quiseres que eu te mostre.”
Deu um caminho claro, mas não assumiu incompetência.
Deixou espaço para autonomia e perguntas.

A nível pessoal, também ajuda nomear o medo.
“Estou a notar que estou a explicar isto com demasiado detalhe porque estou com receio de isto me cair em cima se correr mal.”
Essa honestidade interna não precisa de ser dita em voz alta, mas pode aliviar o impulso de explicar em excesso.

A nível prático, quem explica demais costuma cair nas mesmas armadilhas.
Repete-se “para o caso”, enterra a resposta simples sob três camadas de contexto e continua a falar depois de o ouvinte já ter percebido.
Provavelmente reconhece-se em pelo menos um destes hábitos.

Comece com esta pequena experiência: pare de falar um momento mais cedo do que lhe parece confortável.
Dá a explicação e depois faz uma pausa - mesmo que o corpo peça para continuar a preencher o espaço.
Esse silêncio não é falha; é informação. Mostra-lhe se a pessoa tem perguntas ou se está pronta para avançar.

E, falemos claro: ninguém volta a ler aquelas mensagens de 18 parágrafos no Slack que escreveu à meia-noite “para ser super claro”.
As pessoas passam os olhos pelas primeiras linhas e depois improvisam.
Passar menos tempo a explicar demais não é preguiça; é respeito pela atenção limitada de toda a gente.

Há também um custo emocional de que raramente se fala.
Quem explica demais costuma sair das conversas a sentir-se estranhamente esgotado e pouco valorizado.
Gastou energia em detalhe desnecessário e depois sente-se magoado quando os outros não reagem com gratidão.

  • Repare no impulso: apanhe o momento em que começa a empilhar explicações extra “para o caso”.
  • Pergunte primeiro: “O que é que já sabes sobre isto?” antes de mergulhar.
  • Ofereça níveis: dê a versão curta e depois diga: “Queres a versão mais detalhada?”
  • Convide à correção: deixe que as pessoas lhe digam se está a ir demasiado ao básico, sem levar a peito.
  • Repare o sinal: se sentir irritação, diga: “Posso estar a explicar demais - como é que isto te está a soar?”

Como explicar demais altera as relações (e o que pode fazer em vez disso)

Com o tempo, este hábito não afeta apenas reuniões ou e-mails; altera o tom emocional das relações.
Um(a) parceiro(a) que explica constantemente como carregar a máquina da loiça ou fazer uma transferência bancária está a enviar uma mensagem constante, de baixo nível: “Não confio que consigas lidar com a vida do dia a dia.”
A outra pessoa pode rir-se, mas começa a crescer um ressentimento silencioso.

Do outro lado, quem explica demais sente-se muitas vezes só.
Está a esforçar-se para evitar erros e mal-entendidos, mas o que os outros leem é condescendência, não cuidado.
A intenção e o impacto afastam-se um do outro como dois barcos em correntes diferentes.

Todos já vivemos aquele momento em que alguém nos explica uma coisa básica que fizemos mil vezes e, de repente, voltamos a sentir-nos com doze anos.
Não se esquece depressa dessa sensação.
Por isso, aprender a reduzir o detalhe tem menos a ver com ser “mais eficiente” e mais com preservar a dignidade - a sua e a dos outros.

Uma prática simples pode mudar tudo de forma discreta: narrar a sua intenção.
Em vez de despejar uma explicação longa, diga: “Vou passar por alguns passos, não porque ache que não sabes isto, mas para ficarmos alinhados.”
Ou: “Interrompe-me se eu estiver a entrar em detalhe a mais; tenho tendência para explicar demais.”

Este tipo de frase tira o aguilhão da dinâmica de poder.
Mostra autoconsciência e dá à outra pessoa permissão explícita para calibrar o nível de detalhe.
Transforma uma palestra unilateral numa negociação a duas vias.

No fim, explicar demais raramente tem a ver com inteligência ou falta de conhecimento.
Tem a ver com segurança, controlo e o medo de ser quem “devia ter dito mais”.
Quando reconhece isso, pode começar a substituir a clareza prolixa por uma confiança mais silenciosa e mais profunda.

Ponto-chave Detalhe Benefício para o leitor
Explicar demais como estratégia de segurança Muitas vezes motivado por ansiedade, perfeccionismo e medo de culpa Ajuda a ver o seu comportamento com menos vergonha e mais clareza
O sinal de poder escondido Explicar coisas básicas pode colocar os outros no papel de “aluno” Mostra por que razão as pessoas se podem sentir diminuídas ou irritadas
Formas práticas de falar menos e ligar-se mais Perguntar o que é necessário, oferecer níveis de detalhe, pausar mais cedo Dá passos concretos para reduzir fricção e construir confiança

FAQ

  • Como sei se estou a explicar demais? Vai notar que repete o mesmo ponto com palavras diferentes, que as pessoas ficam com o olhar perdido, ou que dizem “Sim, já percebi” antes de terminar. Por dentro, a sensação costuma ser uma mistura de urgência e um ligeiro pânico de ser mal interpretado(a).
  • Explicar demais é sempre mau? Nem sempre. Em contextos de alto risco - medicina, aviação, decisões legais - uma explicação detalhada pode salvar vidas ou carreiras. O problema é quando o detalhe não corresponde à situação ou às necessidades de quem ouve.
  • O que devo fazer se alguém estiver sempre a explicar-me demais? Interrompa com delicadeza: “Estou a acompanhar, podes saltar o básico”, ou “Dá-me primeiro a versão curta.” Não está a atacar; está a orientar o nível de detalhe.
  • Trauma ou críticas passadas podem causar explicar demais? Sim. Pessoas que foram duramente culpabilizadas por erros, ou que cresceram em ambientes imprevisíveis, muitas vezes aprendem a explicar demais como forma de se manterem seguras e prevenir conflito.
  • Como posso mudar este hábito sem parecer rude ou brusco(a)? Comece pequeno: encurte um e-mail por dia, ou faça uma pausa numa conversa. Se quiser, diga em voz alta: “Estou a praticar ser mais conciso(a), por isso diz-me se precisares de mais detalhe.” Experiências pequenas e consistentes funcionam melhor do que tentar reescrever a personalidade inteira.

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