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Outra má notícia: a partir de 12 de janeiro de 2026, será proibido cortar a relva entre as 12h e as 16h em 23 distritos.

Homem a cortar relva no jardim com calendário marcado em 12 de janeiro de 2026 e ferramentas de jardinagem numa mesa.

Algures à beira da aldeia, um corta-relva ganha vida aos solavancos, um cão começa a ladrar, uma criança grita: «Pai, isto está demasiado alto!», e as janelas fecham-se, uma a uma. O calor bate no asfalto como uma parede. O ar vibra com mosquitos e gasolina.

Afastas a cortina e espreitas lá para fora. O vizinho está lá, boné na cabeça, a cortar a relva de chinelos, exatamente como faz todos os verões há dez anos. Nem uma nuvem no céu. Ninguém diz nada, mas sentes o revirar de olhos coletivo na rua.

A partir de 12 de janeiro de 2026, esse barulho da tarde não será apenas irritante. Será ilegal em 23 departamentos.

Silêncio ao meio-dia: quando o seu relvado encontra a lei

A nova regra é brutalmente simples: entre as 12h00 e as 16h00, será proibido cortar a relva em 23 departamentos franceses, a partir de 12 de janeiro de 2026. Sem exceções para aquele «retoque rápido» antes de chegarem visitas. Chega de blitz de última hora antes da tempestade. A famosa sessão de cortar a relva depois do almoço passará, de repente, a pertencer ao passado.

No papel, parece apenas mais uma pequena restrição, perdida numa longa lista de regras ambientais. No dia a dia, porém, vai diretamente ao encontro de um momento sagrado em muitas casas: a única janela em que famílias, trabalhadores por turnos e jardineiros de fim de semana conseguem tratar da relva.

Não é só ruído. É organização, hábitos e uma fatia de liberdade pessoal que está a ser redesenhada.

Peguemos numa pequena aldeia na Drôme, um dos 23 departamentos abrangidos. Nos fins de semana de verão, a banda sonora é quase previsível: sinos da igreja ao meio-dia, garfos e pratos até por volta das 13h30 e, depois, como uma onda, começam os corta-relvas. Dá para seguir o progresso da tarde apenas ouvindo o zumbido mecânico a passar de jardim em jardim.

Agora imagine a mesma aldeia em julho de 2026. Os sinos tocam, as mesas são arrumadas, as crianças correm para a rua… e nada. Sem motores, sem aparadores, sem sebes a serem «massacradas» em câmara lenta. Torna-se possível fazer a sesta. Uma conversa no terraço já não precisa de competir com um motor a dois tempos. Alguns acharão pacífico. Outros olharão para a relva a crescer, dentes cerrados.

Essa mesma cena repetir-se-á noutros 22 departamentos, de zonas periurbanas a bairros residenciais onde cortar a relva é quase um desporto competitivo.

Por trás desta proibição há uma dupla preocupação: saúde pública e clima. As ondas de calor chegam mais cedo e com mais força. As autarquias têm recebido mais queixas sobre ruído, stress e qualidade do ar. Os corta-relvas a combustão libertam um cocktail de partículas finas e óxidos de azoto, precisamente quando as pessoas tentam descansar e fugir às horas mais quentes do dia.

As autoridades também conhecem uma verdade dura: raramente se corta a relva às 8h00 de um sábado. Corta-se na janela que encaixa na vida das pessoas. Pausa de almoço. Sesta das crianças. Fim da siesta. Por isso, a regra atinge exatamente onde o comportamento realmente acontece, e não um horário teórico que ninguém usa.

O resultado é uma mudança simbólica: o jardim deixa de ser uma ilha privada desligada do mundo e passa a ser tratado como uma paisagem sonora partilhada e uma zona de microclima.

Como viver com um relvado silencioso das 12h às 16h

A primeira adaptação é quase óbvia, mas complicada na vida real: mudar os horários de corte. Em vez do famoso início da tarde, terá duas janelas realistas. De manhã cedo, aproximadamente das 8h00 às 11h30. E ao fim da tarde, das 16h00 até ao anoitecer, respeitando os regulamentos locais de ruído.

Na prática, isso significa pensar como um agricultor atento ao tempo. Verifique a previsão, escolha os dias mais frescos e agrupe as tarefas ruidosas: cortar, aparar e soprar folhas na mesma sessão. Um blitz de 40 minutos na manhã de sábado pode poupá-lo a várias sessões culpadas e suadas ao longo da semana.

À sua relva é indiferente se a corta às 10h00 ou às 14h00. Aos seus vizinhos - e agora à lei - não.

O segundo trunfo é mais estratégico: mudar o próprio relvado. Muitas famílias já estão a desistir do estilo «relvado inglês» curto, que exige atenção constante. Relvados mais altos e ligeiramente selvagens resistem melhor à seca, precisam de menos cortes e tremem menos a cada anúncio municipal.

Pense naquele vizinho que repete, orgulhoso, que só corta uma vez por mês. Há uns anos parecia preguiça. Hoje, parece quase visionário. Relva mais alta, manchas de trevo, pequenas zonas «sem corte» à volta das árvores - estas escolhas atenuam o impacto de uma proibição das 12h às 16h. Menos área de relvado significa menos fins de semana sacrificados a planear a vida em torno de um corta-relva.

E, honestamente, ninguém no mundo conta os centímetros exatos da altura das lâminas de relva - exceto você.

Há também o lado emocional desta mudança, muitas vezes subestimado. Algumas pessoas sentem-se quase atacadas: o jardim é o seu reino, a sua terapia, a sua fuga. Dizer-lhes quando podem ou não podem cortar a relva soa a intrusão num espaço que julgavam completamente seu.

«Corto a relva depois do almoço há trinta anos. É a minha rotina», confessa Laurent, 57, em Isère. «Vens do mercado, bebes um café e vais para a rua. Agora terei de esperar até às quatro, quando o sol volta ao terraço e as crianças querem jogar futebol.»

Outros veem o lado positivo: mais oportunidade de descanso, mais tarefas compatíveis com a sombra ao meio-dia, menos conflito com aquele vizinho que detesta barulho. Num plano muito prático, esta nova regra é também um convite a diversificar o que se faz no jardim.

  • Agendar o corte antes das 11h30 ou depois das 16h00.
  • Converter parte do relvado em cobertura vegetal (tapetes) ou prados floridos.
  • Usar o período das 12h às 16h para tarefas silenciosas: rega, poda, mulching.

Para lá da proibição: transformar a restrição num novo ritmo de jardim

O efeito mais estranho desta regra é cultural. De repente, o silêncio ao meio-dia passa a fazer parte da paisagem nestes 23 departamentos. Como as antigas «horas de silêncio» nos prédios, mas estendidas a ruas e jardins. Obriga toda a gente a negociar uma nova relação com o tempo e com o ruído.

Pode dar por si a falar com vizinhos que mal cumprimentava, só para coordenar horários de corte ou partilhar um corta-relva a bateria. Um grupo de WhatsApp pode surgir na sua rua para combinar pequenas regras: «Nada de aparadores de sebes depois das 19h, combinado?» Algumas aldeias vão apostar na calma coletiva; outras vão tentar esticar os limites o máximo possível.

Esta proibição não vai resolver todas as queixas de ruído. Mas vai empurrar a vida do jardim para algo mais lento e um pouco mais deliberado. Só isso já vai gerar muitas discussões à mesa da cozinha.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Proibição 12h–16h Nova regra a partir de 12 de janeiro de 2026 em 23 departamentos. Ajuda a evitar coimas e conflitos.
Mudança de hábitos O corte passa para manhãs ou fins de tarde. Facilita o planeamento de fins de semana e férias.
Repensar o jardim Menos relvado, mais atividades de sombra e com pouco ruído. Reduz stress, ruído e trabalho de manutenção.

FAQ:

  • Quais são os 23 departamentos afetados pela proibição de cortar a relva? A regra visa departamentos regularmente expostos a ondas de calor e a muitas queixas de ruído; a lista oficial será publicada nos despachos da prefeitura associados a 12 de janeiro de 2026.
  • A proibição abrange também corta-relvas elétricos? Sim, o período das 12h às 16h abrange todos os tipos de corta-relvas, a combustão ou elétricos, porque a regra foca o ruído e a exposição ao calor, não apenas as emissões.
  • Posso cortar a relva ao meio-dia em dias úteis? Não, a proibição aplica-se todos os dias da semana nos departamentos abrangidos, incluindo fins de semana e feriados, a menos que um regulamento local preveja raras exceções.
  • Quais são os riscos se eu ignorar a regra? Fica sujeito a coima após queixa de um vizinho ou fiscalização policial; o valor exato dependerá de como a regra for integrada nos regulamentos locais.
  • Alternativas como corta-relvas robóticos são permitidas ao meio-dia? Corta-relvas robóticos silenciosos e de baixa potência podem ser tolerados dependendo da interpretação local, mas deverá verificar as orientações do seu município antes de contar com eles ao meio-dia.

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