Saltar para o conteúdo

Penteados depois dos 60: esqueça estilos antiquados; este corte é o mais jovem segundo os cabeleireiros profissionais.

Mulher sorrindo num cabeleireiro, enquanto uma mão estiliza o seu cabelo castanho em frente ao espelho.

A conversa começa da mesma forma quase sempre. Uma mulher na casa dos sessenta senta-se na cadeira do salão, alisa a mala no colo e diz, um pouco a pedir desculpa: “Faça só alguma coisa para eu não parecer… velha.” A palavra fica suspensa entre o espelho e as tesouras, mais pesada do que qualquer cabelo grisalho.

À sua volta, o salão vibra com adolescentes a pedir curtain bangs e trintonas a querer bobs lisos. Ela observa os reflexos e pergunta-se, em silêncio, quando é que o seu corte de cabelo passou a ser um número em vez de um estilo.

A cabeleireira inclina-lhe o queixo, estuda-lhe o rosto e sorri. “Esqueça o ‘adequado à idade’”, diz. “Vamos emoldurar os seus olhos, levantar as maçãs do rosto, libertar o pescoço.” Depois de alguns cortes seguros, a mulher endireita-se.

As rugas não desapareceram. Mas a expressão, sim.

Algo no espelho acabou de mudar - e não é o que está a pensar.

O corte em que os cabeleireiros juram que faz as mulheres com mais de 60 parecerem instantaneamente mais frescas

Pergunte a cinco cabeleireiros profissionais qual é o corte que parece mais jovem depois dos 60 e vai ouvir a mesma palavra repetida com uma convicção tranquila: o bob suave com camadas. Não a versão rígida, tipo capacete, dos anos 90. Mas um bob moderno e leve, que se mexe quando anda e não fica pousado na cabeça como uma tampa.

Fica algures entre a linha do maxilar e a clavícula, contorna o rosto e abre o pescoço. As linhas são limpas, mas não severas. A magia está nas camadas subtis que criam elevação no topo da cabeça e suavidade à volta da boca.

Num rosto onde a gravidade começa a escrever a sua própria história, este corte desenha pequenas setas para cima.

Imagine a Brigitte, 67 anos, enfermeira reformada, que chegou a um salão em Paris com um penteado lacado e armado que usava há vinte anos. “O meu cabelo não dá para mais nada”, insistia. A cabeleireira sugeriu um bob com camadas a roçar os ombros, ligeiramente mais comprido à frente, com uma franja leve a tocar nas sobrancelhas.

Trinta minutos depois, a neta fez uma videochamada de Londres e disparou: “Uau, Mamie, estás… diferente. Mais nova, até.” A Brigitte riu-se como uma adolescente e não parava de virar a cabeça para um lado e para o outro, para ver o movimento.

Uma história parecida repete-se diariamente, de Nova Iorque a Nápoles. Os cabeleireiros dizem que, quando as mulheres com mais de 60 passam de formas pesadas e rígidas para bobs leves com camadas, comentam menos sobre a idade e mais sobre como o cabelo se sente “vivo”.

Porque é que este corte, em particular, parece jovem? Primeiro, o comprimento. O cabelo à altura do maxilar ou um pouco abaixo chama a atenção para os olhos e para as maçãs do rosto, em vez de para a parte inferior da face, onde a pele tende a relaxar. Segundo, as camadas. Dão volume no topo da cabeça, o que compensa visualmente alguma flacidez e evita o temido efeito “achatado em cima, cheio de lados”.

E depois, as pontas. Uma linha demasiado direita e sem textura pode endurecer os traços. Pontas suaves e ligeiramente texturadas esbatem os contornos, como uma lente de câmara mais favorecedora. Essa combinação de elevação, movimento e suavidade envia ao cérebro uma mensagem muito simples quando a vemos em alguém com mais de 60: “energia”.

Como pedir o bob certo depois dos 60 (e não sair com um capacete)

O bob mais jovem depois dos 60 não é copiar a fotografia de uma celebridade; é coreografar o cabelo à volta do seu rosto como a luz à volta de um quadro. Quando se sentar na cadeira, comece por falar sobre como vive, não apenas sobre como quer parecer. Usa óculos? Faz muito exercício? Pinta o cabelo em casa?

Peça um bob que termine entre o meio do pescoço e o topo das clavículas, com camadas suaves no interior e uma textura delicada nas pontas. Diga que quer movimento, não volume “nos lados”. Isso indica ao cabeleireiro que deve manter os lados mais leves e construir altura no topo da cabeça.

Se se sentir à vontade, acrescente uma franja leve e esfiapada que caia ao nível das sobrancelhas ou ligeiramente abaixo - é como um filtro instantâneo do Instagram para a testa.

A maior armadilha depois dos 60 é agarrar-se “ao corte que resultou em 1998”. O cabelo muda com as hormonas, os medicamentos e o tempo. Fica mais fino, mais seco, por vezes mais frágil. Um estilo que antes parecia polido pode, de repente, tornar-se rígido e datado. Todos já passámos por isso: o momento em que a fotografia na nossa cabeça deixa de coincidir com a pessoa no espelho.

Seja gentil consigo mesma. Evite pedir “muitas camadas” a menos que tenha cabelo muito espesso; camadas a mais podem deixar o cabelo fino com aspeto espigado e cansado. Fuja de nucas muito curtas e empilhadas (stacked) se a pele do pescoço for uma preocupação - uma nuca ligeiramente mais comprida costuma ser mais favorecedora e moderna.

E desconfie de franjas pesadas e direitas, cortadas como a régua. Podem traçar uma linha dura no rosto em vez de se fundirem com ele.

“Depois dos 60, o objetivo não é esconder a idade”, diz a cabeleireira londrina Carla James. “O objetivo é retirar tudo o que puxa o rosto para baixo - ângulos duros, blocos pesados de cabelo, cor escura e sem dimensão - e substituí-lo por suavidade e luz. Um bob com camadas bem cortado faz isso de uma vez.”

  • Comprimento ideal: Entre o maxilar e a clavícula mantém o pescoço aberto e a silhueta leve.
  • Camadas invisíveis: Camadas internas suaves dão elevação no topo sem “degraus” óbvios nem um aspeto demasiado desfiado.
  • Opção de franja suave: Franja leve e esfiapada ou franja tipo cortina ajuda a disfarçar linhas na testa e a trazer foco para os olhos.
  • Textura nas pontas: Pontas ligeiramente esfiadas impedem que o corte pareça rígido ou “armado”.
  • Penteado sem esforço: Uma escova redonda com secador ou uma secagem rápida com um pouco de mousse costuma chegar. Sejamos honestas: ninguém faz isto todos os dias.

Que o corte combine com a mulher, não com o ano de nascimento

Algumas mulheres chegam aos 60 e querem que o cabelo sussurre. Outras querem que cante. O mesmo corte nunca vai assentar bem a ambas. O bob com camadas é apenas uma tela; o que pinta em cima dela muda tudo. Ondas suaves e madeixas quentes para a mulher que adora vestidos boho. Linhas lisas e uma risca lateral marcada para a que tem um armário cheio de camisas brancas impecáveis.

O verdadeiro efeito de juventude não vem de perseguir tendências “jovens”; vem da coerência. Quando o cabelo, a roupa e a postura contam a mesma história, parece confortável na própria pele. E esse conforto parece mais jovem do que qualquer sérum anti-idade. Um corte moderno apenas elimina o ruído visual para que as pessoas a vejam primeiro a si, e não ao seu aniversário.

Se usa cabelo comprido há décadas, cortá-lo pode parecer uma rutura. Fale com o seu cabeleireiro sobre uma transição: vá primeiro até à clavícula e, da próxima vez, mais curto, se se sentir preparada. Passos pequenos, não um choque.

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
Bob suave com camadas Comprimento do maxilar à clavícula, com camadas internas subtis e movimento Levanta visualmente os traços e acrescenta energia sem uma mudança drástica
Moldura do rosto e franja Mechas leves à volta do rosto e franja suave opcional Realça os olhos, suaviza as rugas e moderniza o visual
Personalização Ajusta textura, comprimento e forma de pentear ao estilo de vida e ao tipo de cabelo Garante que o corte favorece, é prático e se sente “a sua cara”

Perguntas frequentes (FAQ)

  • Pergunta 1: Que palavras exatas devo usar com o meu cabeleireiro para evitar um bob antiquado?
    Peça “um bob suave com camadas, entre o maxilar e a clavícula, com movimento, textura nas pontas e mechas leves a emoldurar o rosto - não um estilo arredondado e armado”. Diga que quer um resultado moderno e arejado, não rígido.

  • Pergunta 2: Um bob resulta se o meu cabelo for muito fino e estiver a rarear?
    Sim, desde que as camadas sejam subtis. Um bob de um só comprimento ou com camadas leves, à altura do maxilar ou um pouco abaixo, costuma fazer o cabelo fino parecer mais cheio do que comprimentos longos e ralos. O cabeleireiro pode dar volume no topo sem afinar demasiado as pontas.

  • Pergunta 3: Posso manter o cabelo grisalho com este corte e, ainda assim, parecer jovem?
    Claro. A forma faz a maior parte do “trabalho de elevação”. Camadas suaves e um contorno bem definido fazem o grisalho parecer intencional e elegante. Se quiser, algumas madeixas mais claras e de tom frio à volta do rosto podem acrescentar luminosidade.

  • Pergunta 4: Com que frequência devo cortar um bob com camadas depois dos 60?
    Conte com um corte a cada 6 a 8 semanas para manter a forma fresca e as camadas no sítio certo. Quando cresce para lá da clavícula, perde alguma elevação e as pontas podem começar a “puxar” o rosto para baixo.

  • Pergunta 5: E se eu detestar pentear o cabelo - este corte continua a ser para mim?
    Sim, desde que diga ao seu cabeleireiro que quer uma versão de baixa manutenção. Ele pode cortar de forma a que o cabelo assente bem ao secar ao ar. Uma escova pequena e cinco minutos a secar as partes da frente podem ser tudo o que alguma vez vai precisar.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário