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Segundo a psicologia, quem apenas navega nas redes sociais sem comentar ou publicar costuma apresentar estas 5 características.

Pessoa segura um smartphone num café, com chávena, jornal e cadernos sobre a mesa.

Estás deitado na cama, o polegar a fazer scroll em piloto automático. Instagram, TikTok, X, Facebook - caras, férias, separações, casamentos, opiniões inflamadas. Os teus olhos estão em todo o lado, mas o teu nome não está em lado nenhum. Não dás gosto, não comentas, não publicas. Só observas.

O engraçado é que sabes tudo. Quem mudou de emprego, quem teve um bebé, quem de repente anda obcecado com banhos de água gelada. Os teus amigos brincam a dizer que és um “fantasma das redes sociais”, mas a verdade parece um pouco mais complexa do que isso.

Os psicólogos estudam este comportamento digital silencioso há anos, e os padrões são surpreendentemente consistentes.

Os que fazem scroll em silêncio não são quem tu imaginas.

O observador invisível: porque é que algumas pessoas só assistem a partir das margens

Abre qualquer rede social e vês o mesmo padrão: um pequeno grupo a publicar e a reagir em voz alta, enquanto a grande maioria apenas… espreita. Isto não é aleatório. Muitas pessoas que navegam sempre, mas nunca comentam nem publicam, partilham uma forte tendência para observar. Por natureza, preferem ver, ouvir e recolher detalhes antes de entrar em cena.

São aquelas que reparam na mudança de tom de alguém ao longo das stories, ou que se lembram de que as férias do ano passado pareciam mais felizes do que as deste ano. O polegar move-se depressa, mas a mente move-se em silêncio, a ligar pontos.

Estão presentes - só não da forma que os algoritmos gostam de contar.

Imagina um grupo de chat em que há um amigo que nunca fala, mas sabe sempre exatamente o que se passa na vida de toda a gente. É essa a energia de quem “espreita” nas redes. Um estudo da University of Alabama concluiu que, em muitas plataformas, cerca de 90% dos utilizadores raramente ou nunca criam conteúdo, enquanto cerca de 10% geram quase tudo o que vês.

Por isso, a “maioria silenciosa” não é uma metáfora - é matemática.

Muitas destas pessoas abrem as apps várias vezes por dia, mantêm-se a par de todas as tendências e, mesmo assim, não deixam rasto digital. Sem comentários. Sem gostos. Sem “visto” numa resposta à tua story. Apenas uma presença constante e discreta do outro lado do ecrã.

Os psicólogos dizem que este tipo de “consumo passivo” costuma sobrepor-se a traços como introspeção, prudência e autoproteção social. Não publicar nem comentar é uma forma de manter o controlo. Sem risco de dizer algo errado, sem risco de ser julgado, sem capturas de ecrã num grupo privado.

Nem sempre é timidez. Às vezes é estratégia.

Para muitos, as redes sociais não são um palco - são uma janela. Não estão a tentar ser vistos. Estão a tentar perceber o ambiente antes de entrar.

Cinco traços que a psicologia encontra frequentemente em “lurkers” crónicos

A psicologia não diz que todos os lurkers são iguais. Ainda assim, certos traços voltam a aparecer, uma e outra vez. O primeiro: elevada consciência social. Quem faz scroll em silêncio costuma ter um radar apurado para sinais sociais e dinâmicas de grupo.

Captam o que não é dito - quem está subtilmente a gabar-se, quem está claramente a sofrer, quem publica à procura de validação. São muito sensíveis ao que parece “fora do sítio” num post.

Essa consciência pode fazê-los hesitar em falar. Quando reparas em tudo, também vês todas as formas como um comentário pode ser mal interpretado.

Vejamos a Sara, 29 anos, que usa TikTok e Instagram todos os dias, mas não publica nada há três anos. Consegue dizer-te que amigo se está a afastar só pela frequência das stories. Adivinha quando um casal está prestes a separar-se antes de o anunciar. Repara em quem nunca põe gosto nas fotos de quem.

Disse a uma terapeuta que as redes sociais a fazem sentir-se “hiperconsciente e estranhamente responsável” pela forma como aparece. Por isso resolveu o problema quase nunca aparecendo. Em vez disso, observa.

Para pessoas como ela, o feed torna-se um mapa de relações, tensões e estados de espírito. Não são passivas. Estão, discretamente, a decifrar.

O segundo traço é uma forte necessidade de segurança emocional. Não publicar nem comentar funciona como um escudo digital. Sem opinião partilhada, não há retaliação. Sem selfie, não há comparação. Sem rasto, há menos “provas” caso as coisas fiquem confusas mais tarde.

Depois há o terceiro traço: pensamento perfeccionista. Muitos utilizadores silenciosos referem apagar rascunhos, reescrever comentários e depois desistir. “Nada do que eu digo parece suficientemente bom” é algo que surge muitas vezes em consultas de terapia.

O quarto traço é introversão ou fadiga social. Quando a vida real já é barulhenta, a vida online torna-se um lugar para assistir, não para atuar. E o quinto? Uma mente reflexiva - por vezes demasiado pensativa - que prefere rever um momento por dentro, em vez de reagir publicamente em tempo real.

Como viver melhor com os teus hábitos de “lurking” (sem te forçares a tornar-te alguém que publica)

Se és alguém que navega cronicamente, não tens de te transformar num criador de conteúdo de um dia para o outro. Uma mudança suave é experimentar micro-interações de baixo risco. Reage a uma story só com um emoji. Põe gosto num post por dia de alguém de quem gostas mesmo.

Estas ações pequenas não te transformam num influencer. Apenas aproximam um pouco o teu mundo interior do mundo exterior.

Continuas a proteger a tua privacidade, mas deixas de te sentir como um fantasma a ver a tua própria vida a partir do balcão.

Uma armadilha comum para lurkers é a comparação silenciosa. Fazes scroll por “informação” ou “entretenimento” e, de alguma forma, acabas a sentir-te mais pequeno, mais atrasado, para trás. Aquele aperto discreto depois de fechares a app? Não vem do nada.

Seres honesto contigo sobre o motivo pelo qual abres uma app pode ser um grande reset. Estás aborrecido, sozinho, a evitar uma tarefa, ou genuinamente curioso? Sejamos francos: ninguém faz isto todos os dias com intenções puras e totalmente saudáveis.

Se reparas que quase sempre te sentes pior depois de fazer scroll, não és frágil. És apenas humano num ambiente desenhado para te disparar gatilhos.

Uma terapeuta descreveu os lurkers como “pessoas na última fila do teatro que, mesmo assim, sentem cada cena muito profundamente”.

  • Começa por ações privadas
    Envia uma DM em vez de um comentário público. Sente-se mais seguro, e ainda assim cria ligação.
  • Limita as “janelas de doomscroll”
    Define momentos pequenos e específicos para ir às apps, em vez de andares a entrar ao longo do dia.
  • Repara nos sinais do teu corpo
    Peito apertado? Maxilar tenso? Esse é o teu sinal para fechar a app - não para fazer scroll com mais força.
  • Publica algo pequeno e imperfeito
    Um café desfocado, uma música de que gostas, um pensamento aleatório. Sem selfies, sem grandes revelações, sem pressão.
  • Protege as tuas fronteiras
    Curate o teu feed. Silencia pessoas que te levam a comparar-te constantemente. Segue mais contas que ensinem, acalmem ou inspirem de forma genuína.

Então, o que é que o teu scroll silencioso diz realmente sobre ti?

Se passas sobretudo a ver e nunca publicas, isso não significa automaticamente que sejas inseguro ou “estragado”. Pode significar que és cuidadoso com a tua energia. Pode significar que te interessa mais observar do que representar. Pode significar que pensas antes de falar - e essa qualidade simplesmente te acompanhou para o telemóvel.

Ao mesmo tempo, o teu lurking pode revelar bolsos de medo: medo de julgamento, de seres mal interpretado, de não seres “suficiente” num mundo que avalia tudo com corações e números. As redes sociais não criam esses medos, mas aumentam-lhes o volume.

A psicologia convida a uma pergunta diferente: não “Porque é que não publico mais?”, mas “A forma como uso estas apps está alinhada com quem eu sou?” Para alguns, manter-se maioritariamente invisível sabe a paz, a estabilidade, a certo. Para outros, alimenta lentamente solidão, ressentimento, ou a sensação de viver ao lado da própria vida em vez de a viver por dentro.

Não tens de anunciar a tua presença ao mundo para mudares alguma coisa. Envia mensagem a uma pessoa cujos posts vês sempre mas nunca reconheces. Partilha uma coisa que pareça real, não polida. Ou simplesmente repara, esta noite, como te sentes no exato momento em que decides parar de fazer scroll.

Os teus traços não são um diagnóstico. São um ponto de partida para escolheres quão visível queres ser - nos teus termos.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Mentalidade de observador Lurkers reparam em padrões, emoções e sinais sociais que outros não veem Reinterpreta o scroll silencioso como uma forma de consciência, e não apenas passividade
Necessidade de segurança emocional Evitar posts/comentários reduz o risco e a exposição percebidos Ajuda a explicar o teu comportamento sem culpar a tua personalidade
Pequenos passos, sem pressão Emojis, mensagens privadas e publicações imperfeitas como experiências suaves Oferece formas práticas de te sentires menos “fantasma” mantendo a autenticidade

FAQ:

  • Pergunta 1: Fazer lurking nas redes sociais significa que tenho ansiedade social?
  • Pergunta 2: É psicologicamente pouco saudável só navegar e nunca publicar?
  • Pergunta 3: Porque é que escrevo comentários e depois apago antes de publicar?
  • Pergunta 4: Ser lurker pode afetar as minhas relações na vida real?
  • Pergunta 5: Como posso mudar os meus hábitos sem expor demasiado ou fingir?

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