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Um novo aparelho de cozinha promete substituir o micro-ondas de forma definitiva e especialistas garantem que é muito mais eficiente.

Pessoa a usar um mini forno que está a cozinhar um prato com legumes, ao lado de um micro-ondas numa cozinha.

Ainda carregamos nos mesmos botões de sempre: 30 segundos, aquecer de novo, parar quando o prato está a queimar e o centro continua frio. Entretanto, os preços da energia sobem, as cozinhas encolhem e o TikTok está cheio de aparelhos brilhantes que prometem fazer melhor com menos.

Em milhares de casas, outra máquina foi, discretamente, ocupando um lugar ao lado da chaleira e da torradeira. Mais elegante, mais esperta, mais faminta de ar do que de eletricidade. Bloggers de comida juram por ela, marcas de eletrodomésticos dão-lhe nomes errados de propósito, e especialistas em energia começam a usar expressões como “mudança de jogo”.

Alguns já estão a desligar o micro-ondas de vez.

A revolta silenciosa contra o micro-ondas

Numa terça-feira chuvosa ao fim da tarde, no leste de Londres, vi uma família de quatro preparar o jantar sem tocar uma única vez no micro-ondas. O aparelho que fez todo o trabalho parecia um mini-forno baixo e compacto, com porta de vidro e uma ventoinha luminosa ao fundo. Lançava ar quente em torno de um tabuleiro de coxas de frango, deixando-as douradas em menos de 20 minutos.

Os pais chamavam-lhe “a air fryer”, embora o modelo fosse tecnicamente um forno de convecção compacto com modo air fry. As crianças chamavam-lhe apenas “o rápido”. Ninguém sentiu falta do micro-ondas. A velha caixa ainda estava lá, meio escondida atrás de uma pilha de correspondência, como um parente a quem ninguém tinha pedido para ficar.

Os dados de vendas confirmam o que aquela cena de cozinha sugeria. No Reino Unido e nos EUA, as air fryers e os pequenos fornos de convecção têm sido dos eletrodomésticos de cozinha com crescimento mais rápido nos últimos três anos. Um grande retalhista disse-me que vendeu mais air fryers do que micro-ondas tradicionais na época de compras de Natal de 2023.

Os consultores de energia adoram-nos por uma razão muito simples: consomem menos potência e funcionam durante menos tempo. Testes de organizações de consumidores mostram que aquecer uma porção de sobras ou cozinhar um tabuleiro de legumes numa air fryer pode gastar até menos 50–70% de energia do que ligar um forno standard - e visivelmente menos do que muitos micro-ondas mais antigos em tarefas semelhantes.

Nas redes sociais, as pessoas partilham contas de eletricidade “antes e depois” com um entusiasmo quase religioso. Uma publicação, que mostrava uma família que transferiu 70% da cozinha dos dias úteis do micro-ondas e do forno para um aparelho ao estilo air fryer, afirmava uma poupança mensal que pagou o custo da máquina em menos de seis meses.

A lógica é brutalmente simples. Um micro-ondas aquece as moléculas de água no interior dos alimentos; é rápido para líquidos, péssimo para textura. Uma unidade air fry ou de convecção compacta aquece o ar e força-o a circular a alta velocidade em torno da comida. Isso significa bordos estaladiços, superfícies douradas e resultados mais uniformes, com muito menos pré-aquecimento.

A maioria das “air fryers” modernas são, na verdade, fornos de convecção eficientes numa caixa mais pequena. Quanto menor a cavidade, menos ar há para aquecer - e mais depressa o trabalho fica feito. É daí que vem a eficiência energética: calor direcionado, ciclos mais curtos e menos espaço desperdiçado quando comparado com o interior cavernoso de um micro-ondas grande ou de um forno de tamanho normal.

Os especialistas sublinham que a verdadeira mudança não é tecnologia mágica, é escala. Encolhe-se o forno, acelera-se o ar, e desperdiça-se menos energia em cada utilização. Quando se repete isso duas ou três vezes por dia, sete dias por semana, os números começam a pesar.

Como esta nova vaga de “mini-fornos” vence realmente o micro-ondas

O primeiro truque é mudar para que usa o aparelho. Em vez de pensar “micro-ondas para aquecer, forno para cozinhar, torradeira para pão”, quem realmente beneficia desta nova geração de fornos ao estilo air fry usa-o como fonte de calor principal.

Coloca-se um pequeno tabuleiro de legumes com um fio de azeite. Aquece-se o gratinado de massa de ontem numa travessa baixa para que o topo fique borbulhante em vez de elástico. Cozinha-se peixe congelado diretamente do congelador, sem descongelação, sem bordos moles. Um aparelho, um hábito.

Especialistas em energia dizem que os maiores ganhos surgem quando se deixa de pôr duas máquinas a trabalhar para a mesma refeição. Assim, em vez de meio derreter queijo no micro-ondas e depois dourá-lo no grelhador, deixa-se a air fryer fazer as duas coisas num único jato rápido de ar quente.

Há uma curva de aprendizagem. Nas redes sociais encontra-se muita gente a começar com torradas queimadas e a acabar com “nunca mais uso o micro-ondas”. A maioria exagera no início, porque os aparelhos de ar cozinham mais quente e mais perto da comida.

Muitos chefs aconselham uma regra simples para começar: subtrair um terço do tempo e baixar a temperatura cerca de 10–20°C em comparação com uma receita para forno tradicional. Depois, vigiar - não ir embora. Ao fim de duas ou três tentativas, ganha-se o ritmo. As sobras deixam de ser um jogo de sorte e passam a ser um ritual rápido que cabe entre mensagens e reuniões.

Num dia útil cheio, aquecer uma taça de caril transforma-se em seis minutos numa travessa pequena, em vez de 90 segundos salpicados que deixam zonas frias. Não é tão rápido como o micro-ondas, mas o resultado sabe mais a comida acabada de sair do fogão do que a algo saído de um laboratório.

Há também o lado emocional de que ninguém fala nas fichas técnicas. Num dia longo, o micro-ondas sabe a modo de sobrevivência: caixa de plástico lá para dentro, bip, colher, feito. Uma air fryer ou uma unidade de convecção compacta parece um degrau acima - mais perto de cozinhar a sério - mesmo quando se está exausto. Essa pequena diferença pode contar mais do que gostamos de admitir.

Numa bancada cheia, também substitui mais aparelhos do que se imagina. Muitos utilizadores acabam por “aposentar” a torradeira, a função grelhador do forno e algumas assadeiras. Um cesto robusto e duas grelhas passam, de repente, a tratar de quase tudo - de torradas a asas de frango.

“O grande equívoco é achar que o micro-ondas é a escolha eficiente só porque é rápido”, explica um consultor energético com quem falei. “O que interessa é watts multiplicados por minutos, e quanta dessa energia acaba de facto na comida. As novas unidades pequenas de convecção desperdiçam muito menos calor do que as pessoas imaginam.”

  • Use-o para 80–90% da cozinha dos dias úteis, não como um gadget de reserva.
  • Dê prioridade a travessas baixas para que o calor chegue depressa ao centro.
  • Cozinhe em lote pequenas porções: dois tabuleiros de uma vez em vez de três ciclos separados.

O que esta mudança significa para as nossas cozinhas - e para as nossas contas

Quando se começa a cozinhar assim, toda a rotina da cozinha muda. Planeia-se à volta de tabuleiros, não de panelas enormes. Cozinham-se quantidades menores com mais frequência, porque já não parece um desperdício ligar o aparelho durante 8 ou 10 minutos. As refeições passam a ser menos “um grande momento de forno” e mais gestos rápidos, em camadas.

Para muitas pessoas que vivem sozinhas ou em casal, isso é uma revolução silenciosa. Combina com a forma como realmente comem: um punhado de legumes assados aqui, uma posta de salmão ali, arroz de ontem que fica estaladiço em vez de empapado. Os assados grandes de família continuam a pertencer a um forno completo, claro - mas a vida dos dias úteis raramente parece a fotografia de um almoço de domingo.

Sejamos honestos: ninguém faz isso todos os dias.

O dinheiro é o outro motor silencioso. Em cidades europeias onde os preços da eletricidade dispararam, especialistas em energia começaram a fazer testes no mundo real: a mesma refeição, máquinas diferentes. Repetidamente, os pequenos aparelhos de convecção ficaram à frente. Não são poupanças heroicas nem números de clickbait viral. Apenas um corte discreto em cada refeição.

Ao longo de meses, isso conta. Em especial para inquilinos e estudantes que não podem substituir fornos embutidos antigos ou micro-ondas pré-históricos, mas podem acrescentar um aparelho modesto à bancada. Para eles, a escolha é dolorosamente pragmática: pagar menos agora para comer praticamente a mesma comida, ou continuar a alimentar uma caixa faminta de energia saída dos anos 1990.

Numa escala maior, os fabricantes de eletrodomésticos veem para onde sopra o vento. Os novos modelos esbatem as fronteiras: mini-fornos combinados com vapor, air fry, grelhador, até modos de baixa temperatura para cozedura lenta. A palavra “micro-ondas” vai encolhendo nas embalagens, substituída por forno inteligente, cozedura a ar ou multi-aquecimento.

Ninguém vai aparecer para proibir micro-ondas. Muita gente continuará a ter um para aquecer leite depressa, noodles instantâneos ou pipocas de emergência. Ainda assim, em salas e apartamentos pequenos, já circulam histórias de micro-ondas que vão parar à garagem, depois aos classificados, e depois saem de casa de vez.

Quanto mais estes aparelhos de cozedura a ar melhoram, mais o velho micro-ondas parece aquilo que realmente é: uma máquina de um só truque que nunca aprendeu bem como comemos em 2026. A caixa bege resolveu um problema dos anos 1980. A nova vaga está a resolver outro bem diferente: como cozinhar depressa, barato e com comida que pareça ter sido preparada com algum cuidado.

Da próxima vez que entrar na cozinha de um amigo e vir uma pequena caixa a zumbir, com porta de vidro e uma ventoinha luminosa, repare no que ele escolhe quando tem fome. Esse pequeno movimento da mão pode dizer mais sobre o futuro da cozinha do que qualquer ficha técnica.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Fornos ao estilo air fry superam micro-ondas em eficiência Cavidades menores e ar quente forçado reduzem consumo de energia e tempo de cozedura Reduzir a fatura de eletricidade sem sacrificar rapidez
Melhor textura e sabor Bordos mais estaladiços, aquecimento uniforme, sem sobras “borrachudas” A comida do dia a dia sabe mais a “acabada de fazer”
Um aparelho substitui vários Pode substituir a torradeira, o grelhador e muitas tarefas do forno Poupar espaço em cozinhas pequenas e simplificar rotinas

FAQ:

  • O que é exatamente o aparelho que pode substituir o micro-ondas? Na maioria dos casos, é uma nova geração de fornos de convecção compactos e air fryers que usam ventoinhas potentes para lançar ar quente à volta da comida num espaço pequeno.
  • É mesmo mais eficiente energeticamente do que um micro-ondas? Em muitos testes no mundo real, sim. Para pequenas porções e cozinha do dia a dia, muitas vezes gastam menos energia total, porque trabalham mais quente, em menos espaço, por menos tempo.
  • Aquece sopa e bebidas tão depressa como um micro-ondas? Não. Para líquidos, o micro-ondas continua a ganhar em velocidade pura. Estes novos aparelhos brilham com alimentos sólidos, sobras e tudo o que beneficie de ficar estaladiço.
  • Preciso de um modelo caro para ver vantagens? Não necessariamente. Mesmo air fryers e mini-fornos de gama média oferecem grandes ganhos de eficiência e textura face a um micro-ondas antigo.
  • Devo livrar-me do micro-ondas já? Não há pressa. Muita gente mantém os dois durante algum tempo e, ao longo de meses, percebe que a porta do micro-ondas fica fechada - e é aí que está pronta para o deixar ir.

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