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Um produto de casa de banho basta: os ratos não passarão o inverno no seu jardim.

Pessoa adiciona fertilizante a buraco na terra em jardim. Há luvas, regador e pá ao lado.

A primeira ratazana apareceu pouco depois da primeira geada.

Um borrão cinzento encostado à vedação - e desapareceu. Finges que não viste e voltas ao chá. Uma semana depois, outra surge atrás do compostor: grande, calma, como se o jardim lhe pertencesse.

O vizinho jura que ouviu arranhões no barracão. No grupo local, aparece um vídeo tremido de uma ratazana debaixo do comedouro dos pássaros. E começam as sugestões: venenos, armadilhas, gatos, “truques”.

Nessa noite, ao pé do lavatório, reparas nas embalagens do costume. E pensas: talvez um produto banal ajude a tornar o jardim um péssimo sítio para passar o inverno - enquanto resolves o que realmente as atrai.

Porque é que as ratazanas gostam mais do teu jardim de inverno do que tu

As ratazanas não veem “jardim adormecido”. Veem abrigo + comida + água.

  • Folhas, erva alta e silvas viram isolamento.
  • Lenha, paletes e sucata viram paredes.
  • Vãos por baixo de barracões, decks e escadas são secos, escuros e sossegados.

Com frio, procuram um ninho protegido e uma rotina previsível. Muitas vezes basta:

  • uma abertura pequena (em muitos casos passam por ~2–2,5 cm, se a cabeça couber),
  • comida fácil (sementes para aves, ração de cão/gato, restos no compostor),
  • água (pratos, bebedouros, fugas pequenas, caleiras a pingar).

O problema raramente é “apareceu uma”. Se o local for confortável, criam trilhos fixos ao longo de paredes e vedações e voltam todas as noites. Com comida regular no exterior, é comum irem encostando cada vez mais à casa (garagem, arrumos, cave).

Em Portugal, isto costuma piorar no fim do outono/inverno: há menos alimento disponível fora e mais procura de abrigo em quintais e anexos. Um compostor mal fechado, sementes no chão ou uma pilha de folhas encostada ao muro podem chegar.

Dois pontos que muita gente desvaloriza:

  • Higiene e segurança: fezes/urina podem transmitir doenças. Evita varrer a seco. Humedece primeiro (água + detergente/desinfetante), usa luvas e, se houver muito pó, máscara.
  • Deslocação: “assustar” sem retirar comida/abrigo muitas vezes só empurra o problema alguns metros - e volta quando o cheiro passa.

O produto de casa de banho que muda o jogo

O “calcanhar de Aquiles” das ratazanas é o olfato. Seguem trilhos de cheiro e tendem a evitar odores fortes e persistentes. Pasta de dentes rica em mentol pode funcionar como repelente localizado e temporário para desencorajar passagem e ninho - não como solução única.

Como usar (sem exageros):

  1. Escolhe uma pasta branca e simples, com cheiro forte a menta/mentol. As em gel e “sabores” suaves muitas vezes duram menos no exterior.
  2. Coloca uma porção pequena (tamanho ervilha) em algodão ou num pedaço de pano.
  3. Põe em pontos abrigados e de passagem: junto a vedações, entradas sob o barracão, atrás do compostor, perto de pilhas de lenha - sempre fora da chuva.

O erro típico é espremer no chão. A chuva leva, o cheiro desaparece e ficas com o jardim a cheirar a consultório. Melhor: pouco, bem colocado, e renovado.

Regras práticas que costumam resultar melhor:

  • coloca o algodão protegido (dentro de um tijolo furado, sob uma palete, numa caixa virada com abertura pequena),
  • renova 1×/semana com tempo húmido; a cada 10–14 dias se estiver seco,
  • se tu já quase não notas o cheiro ao passar, para elas também está fraco.

Isto não envenena nem “expulsa” uma colónia instalada. Serve para tornar o local menos confortável e quebrar rotas enquanto resolves o essencial: comida, água, abrigo e acessos.

Checklist curta (o que dá mais resultado pelo esforço):

  • Discos com pasta mentolada em cantos secos e escondidos, com renovação regular
  • Zero comida fácil: sementes no chão, taças de ração à noite, lixo acessível
  • Abrigo a menos: relva aparada, folhas sem montes, lenha arrumada e elevada
  • Acessos fechados: vãos sob anexos/degraus e ao longo de paredes com materiais resistentes
  • Após chuva, procura sinais: trilhos na lama, roeduras, dejetos recentes

Um jardim que diz discretamente “sem vagas”

O objetivo não é ter um jardim “imaculado”. É enviar três mensagens claras: cheiros desagradáveis, comida difícil, esconderijos a desaparecer. A pasta mentolada pode ajudar na primeira, mas as outras duas é que decidem se ficam.

Quando começas a olhar para o jardim como uma ratazana, os “convites” saltam à vista:

  • frestas e buracos ao nível do chão,
  • cantos quentes e protegidos (compostagem, amontoados de folhas),
  • rotina de comida (comedouro a deixar cair sementes, ração ao ar livre).

Pequenas mudanças acumulam-se. Regras simples que costumam ter impacto real:

  • Comedouros de aves: usa tabuleiro/apanhador e retira sementes caídas; se há atividade de ratazanas, considera pausar no inverno.
  • Compostor: tampa bem fechada; evita restos muito atrativos (gorduras/carne) e não deixes “porta aberta” à noite.
  • Lenha e arrumação: mantém a lenha elevada do chão e, se possível, afastada de muros/anexos; elimina paletes e tralha encostada à vedação.
  • Selagens: espuma expansiva sozinha raramente chega; para vãos usa malha metálica fina (≈6 mm) e acabamento duro (madeira, chapa ou argamassa), para não roerem.

Em alguns invernos ainda verás uma cauda de vez em quando. Mas aumentas muito a probabilidade de seguirem caminho - sobretudo se a vizinhança também reduzir comida e abrigo.

O teu trabalho não é fazer guerra. É tornar o teu pedaço de terra pouco compensador.

Ponto-chave O que fazer Para quê
Pasta mentolada (uso localizado) Porções pequenas em algodão, sempre em locais secos e protegidos Desencorajar passagem/ninho por perto
Quebrar “autoestradas” Tratar linhas de vedação, base de anexos, traseiras do compostor, pilhas de lenha Reduz rotas repetidas e hábito
Menos acolhimento Cortar comida/água/abrigo e fechar vãos Medida com mais efeito e mais duradoura

FAQ

  • A pasta de dentes afasta mesmo as ratazanas? Pode ajudar como repelente local (mentol incomoda o olfato), sobretudo em pontos de passagem. Funciona melhor como complemento a arrumação e bloqueio de acessos.
  • Que tipo de pasta de dentes funciona melhor? Em geral, uma pasta branca, básica, com cheiro forte a menta/mentol. Em gel ou sabores “doces” tendem a ser menos persistentes ao ar livre.
  • A pasta de dentes é perigosa para animais de estimação ou fauna selvagem? Em pequenas porções e bem escondida, o risco é baixo, mas não deixes onde cães/gatos possam lamber. Se tens animais curiosos, coloca dentro de um tijolo furado/caixa com acesso estreito.
  • Com que frequência devo substituir os discos? Com humidade: cerca de 1×/semana. Mais seco: 10–14 dias. Renova quando o cheiro já quase não se nota.
  • Posso usar pasta de dentes em vez de chamar controlo de pragas? Se houver sinais de ninho/colónia (muitos dejetos, roeduras frequentes, atividade diária), isto não chega. Usa como apoio e trata a causa (comida, abrigo e entradas); se persistir, um profissional pode ser a opção mais eficaz e segura.

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